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Quinta-feira, 24 de Junho de 2010, 21h:32

Queiroz define por força máxima

ALMIR LEITE
Da Agência Estado - Durban, África do Sul
A goleada sobre a Coreia do Norte foi sensacional, mas aqueles 7 a 0 são coisa do passado. Hoje, o adversário é de alto nível e a realidade é outra. É preciso tomar cuidados defensivos, fazer um jogo inteligente e tratar de garantir a classificação às oitavas de final. É assim que Portugal se preparou, dentro e fora de campo, para a partida contra o Brasil, no estádio Moses Mabhida, em Durban. Portugal tem 4 pontos no Grupo G, sete gols de saldo e está virtualmente garantido. Só perde a vaga com derrota expressiva e se a Costa do Marfim impor outra goleada acachapante à Coreia do Norte. Mesmo assim, o técnico Carlos Queiroz prefere não demonstrar confiança excessiva e ontem falou repetidas vezes da necessidade de primeiro garantir a vaga e depois pensar em vencer a partida. Para isso, ele deu a entender que reviu a disposição inicial de poupar alguns jogadores, entre eles a estrela Cristiano Ronaldo - está pendurado com um cartão amarelo. "Vou fazer algumas alterações porque o Brasil não é a Coreia do Norte", disse. "Mas elas levarão em conta apenas os critérios técnicos e não os cartões". Um empate dá a vaga aos portugueses. É isso que eles tentarão prioritariamente, uma vez que não é possível fazer plano para evitar a Espanha na próxima fase - os espanhóis só entram em campo depois. Queiroz reluta em admitir, mas acaba concordando que um ponto é tudo o que ele quer. "Quem joga para empatar, perde. Mas não há dúvida que não se pode desprezar um resultado igual contra uma seleção como a do Brasil". O treinador pode escalar Miguel na lateral direita, pois Paulo Ferreira é um jogador mais ofensivo. No meio de campo, Tiago vai ter funções mais de segundo volante e Simão deverá atuar com quarto homem. Dessa maneira, o técnico acredita poder neutralizar os brasileiros. "Não podemos permitir o contra-ataque do Brasil. Veja o que o ocorreu na final da Copa América de 2007: a Argentina permitiu isso e perdeu feio (3 a 0)", recordou. "O contra-ataque do Brasil é mortal". EQUILÍBRIO - Os 6 a 2 que Portugal levou da seleção de Dunga em amistoso em novembro de 2008 não podem ser levados em consideração, segundo Queiroz. "Naquela época, o trabalho estava começando. A equipe teve continuidade depois daquilo, adquiriu entrosamento, consistência e confiança". Aquela foi a última derrota portuguesa. Desde então, são 18 jogos invictos, com 13 vitórias. Carlos Queiroz pode igualar o recorde de partidas sem perder no comando da seleção lusitana, que pertence ao brasileiro Luiz Felipe Scolari. "Estatísticas não entram em campo, mas servem para dar confiança. E confiamos que é possível bater o Brasil. Para isso, temos de atacar bem e defender bem. E vice versa", afirmou o treinador. BRASILEIROS - O sotaque brasileiro da seleção portuguesa vai estar desfalcado hoje. Dos três jogadores "nascidos do outro lado do oceano", apenas o atacante Liedson deve jogar. São grandes as chances de iniciar a partida, mas, se isso não ocorrer, a tendência é de que entre no segundo tempo. O zagueiro e volante Pepe fica no banco e o meia Deco, ainda em recuperação de dores no quadril, está vetado. Liedson tem sido titular com frequência na seleção portuguesa. Ficou no banco contra a Coreia do Norte - entrou e fez um gol - e viu Hugo Almeida fazer boa apresentação. Mas é quase certo que retome a posição nesta sexta, pois o técnico Carlos Queiroz, contra zagueiros fortes como são Lúcio e Juan, costuma preferir um jogador que se movimenta mais na área do que um que joga fixo - caso de Almeida. Pepe só deve entrar caso alguém do meio de campo português se machuque. Ele já superou a operação no joelho direito que o tirou dos gramados por seis meses, mas ainda está sem ritmo e não suporta atuar durante toda uma partida. Além disso, o volante Pedro Mendes tem jogado muito bem e tornou-se dono da posição.

Edição EDIÇÃO 16967




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