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Quinta-feira, 17 de Junho de 2010, 21h:02
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Organizadores se preparam para Copa sem os anfitriões
JAMIL CHADE
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Os organizadores da Copa do Mundo já se preparam para um Mundial sem o país anfitrião. Ontem, o chefe-executivo do Comitê da Copa, Danny Jordaan, apelou para que a população sul-africana continue a mostrar entusiasmo pelo evento. O temor dos organizadores é de que, com uma provável eliminação da África do Sul na primeira fase, estádios sejam esvaziados e o torneio perca interesse no país. Enquanto o apelo é feito, os problemas na organização se proliferam. Nesta quinta, foi a vez de 2 mil torcedores ficarem presos em vagões de trem diante de um apagão de energia. Na quarta-feira, a equipe sul-africana foi derrotada pelo Uruguai por três a zero e praticamente deu adeus ao Mundial. Jordaan comparou a decepção ao massacre de jovens em Soweto em 1976, depois de um levante contra as medidas racistas. O levante ocorreu exatamente no dia 16 de junho. "Ontem (quarta) foi 16 de junho e em 16 de junho de 1976 a juventude foi massacrada das ruas da África do Sul. Era pelo nosso futuro", disse. "Espero que o massacre dos Bafana Bafana nos campos também seja em nome do nossa futura esperança", disse. "Esse foi um dia de choque e dor. Pela primeira vez, as vuvuzelas estavam em silêncio." Jordaan apelou para que o país continuasse a dar seu apoio ao Mundial, mesmo sem o time local. "O importante é que os torcedores continuem a vibrar além dos Bafana Bafana. O sucesso de uma Copa depende de como os anfitriões tratam seus convidados", disse. O governo sul-africano, que terminará o torneio com um rombo nas contas públicas, também apelou para que a Copa não seja abandonada. "Não é a hora de abandonar as coisas, mesmo com a decepção que possamos ter depois de uma derrota", afirmou o porta-voz da presidência, Themba Maseko. "Desde o início da Copa, os sul-africanos tem sido gentis com nossos convidados. Precisamos continuar a fazer isso, independente do desempenho da seleção", disse. A Fifa hesita em dar uma aprovação à forma pela qual a Copa está sendo organizada. O próprio Jordaan já indicou que o transporte e os congestionamentos ainda o preocupam. Sobre segurança, admitiu que a conta final sairá ainda mais alta diante da necessidade dos organizadores de deslocar policiais para controlar quatro estádios. Nesses locais, os funcionários entraram em greve por conta de salários baixos. Os problemas se proliferaram nos últimos dias. Na quarta-feira, manifestantes protestaram nas proximidades dos prédios do governo contra os gastos de US$ 5 bilhões para o evento, enquanto que 40% da população vive com menos de US$ 2,00 por dia, 60% não tem encanamento em suas casas e 25% da população não tem emprego.