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Terça-feira, 25 de Agosto de 2009, 08h:33

SÃO PAULO

Muricy não terá boa recepção domingo

Diretoria são-paulina quer deixar o técnico do Palmeiras constrangido ao pisar no Morumbi para o clássico paulista

MARCIUS AZEVEDO
Da Agência Estado – São Paulo
O São Paulo fará o possível para Muricy Ramalho se sentir em casa no domingo, quando o treinador, agora no Palmeiras, voltar a pisar no Morumbi pela primeira vez depois de sua passagem de três anos e meio pelo clube. A tática é inibir o explosivo técnico. A diretoria são-paulina não descarta fazer uma homenagem ao comandante pelos três títulos brasileiros conquistados. Mas com segundas intenções: constrangê-lo. O agora treinado do Palmeiras já disse que espera uma boa recepção no Morumbi, mas não aguarda flores em sua volta ao estádio, domingo, para o clássico válido pelo Brasileirão. "Será uma alegria rever o Muricy, com quem tive uma convivência harmoniosa e cavalheiresca. É sempre bom rever os amigos", afirmou o presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio. Na memória do dirigente, porém, ainda há aquela imagem de 2006, quando Muricy foi pela primeira vez ao Beira-Rio para enfrentar o Inter como treinador do São Paulo. Ele se portou de maneira irreconhecível à beira do gramado. Passou praticamente o jogo todo sentado no banco de reservas, sem orientar o time. No fim, derrota são-paulina por 3 a 1. A cena se repetiu no ano seguinte. Só que, desta vez, no Estádio dos Aflitos, em Recife. Muricy também foi recebido com festa pela diretoria do Náutico. Resultado: novamente ele não foi o treinador vibrante à beira do campo e outra vez o São Paulo foi derrotado, desta vez por 1 a 0. A homenagem pelos serviços prestados (algo que foi feito recentemente com Paulo Autuori por ocasião da partida contra o Grêmio), porém, sofre resistência no clube. É notório que Muricy não foi unanimidade no Morumbi. Juvenal Juvêncio bancou sozinho o técnico por muito tempo. Há cartolas que não aceitam qualquer atitude positiva em relação ao técnico, principalmente depois que ele acertou com o rival Palmeiras. A postura da torcida também fez parte do bate-papo entre os dirigentes são-paulinos. A Independente, principal organizada do clube, deve gritar o nome de Muricy no clássico domingo. Resta saber se isso será positivo ou não. "Tenho certeza que serei bem recebido. É assim no Sul, quando vou ao Beira-Rio, no Náutico. Vou ser bem tratado porque todos reconhecem o meu trabalho", afirmou Muricy na semana passada. Juvenal Juvêncio concorda. Só não gostou de saber que o técnico criticou o ex-clube, dizendo que trabalha com mais tranquilidade no Palmeiras. E alfinetou: "Ainda bem que não presto muita atenção nisso. Talvez ele seja bom técnico, mas não seja um especialista em pensamentos. Com o tempo melhora." Em relação ao duelo, o presidente espera uma final para o São Paulo, que está quatro pontos atrás do líder Palmeiras. "Será um jogo nervoso e disputado. O Palmeiras está melhor, mas será um duelo competitivo", avisou Juvenal Juvêncio, que também mandou um recado ao amigo Luiz Gonzaga Belluzzo, o presidente palmeirense. "É uma figura simpaticíssima, darei um camarote especial a ele. Adoro o Belluzzo." NEGÓCIOS - O técnico Ricardo Gomes pode respirar aliviado. A uma semana do fechamento da janela de transferência para Europa, ele não perderá mais nenhum jogador do atual elenco do São Paulo. Quem garante é o presidente do clube, Juvenal Juvêncio. O volante Eduardo Costa, negociado com o Monaco, foi mesmo o único a sair. Juvenal Juvêncio deixou claro ONTEM que adoraria vender alguém para evitar um déficit no orçamento são-paulino. "O time será este daí e isso não é por nossos méritos, e sim pelas poucas ofertas. Não haverá vendas", explicou o presidente do São Paulo. O maior exemplo da situação delineada por Juvenal Juvêncio é o volante Hernanes. O São Paulo sonhava vendê-lo por 25 milhões de euros (R$ 65,3 milhões). Mas ninguém apareceu para pagar o que o clube queria. "O máximo que recebi foi 11 milhões de euros. Não posso perder um jogador dessa magnitude por um valor tão inferior porque temos outras pretensões neste ano", revelou. A única proposta oficial por Hernanes foi do Bayern de Munique, da Alemanha. O Barcelona, que havia oferecido 14 milhões de euros (R$ 36,5 milhões) em janeiro, nem apareceu desta vez. O CSKA Moscou, da Rússia, e o Lyon, da França, sondaram o São Paulo, mas não fizeram oferta para levá-lo.

Edição EDIÇÃO 16967




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