ESPORTES
Terça-feira, 27 de Maio de 2008, 21h:22
A
A
SÃO PAULO
Muricy diz que não teme demissão
MARCIUS AZEVEDO
Da Agência Estado São Paulo
A entrevista coletiva de Muricy Ramalho transcorreu em clima tenso ontem. Irritado, o técnico diz que continua no São Paulo porque o presidente Juvenal Juvêncio o quer, e insinuou que existe um complô para derrubá-lo. O treinador não quis citar nomes, mas, da maneira que colocou, ninguém da diretoria foi poupado. "Se eu sentir que não me querem mais, eu vou embora. Só fico aqui pelo Juvenal, não pelos outros." O alvo principal de Muricy é o vice-presidente de futebol, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. "O regime do São Paulo é presidencialista. Não adianta tentar me derrubar. Quem manda é ele." No ano passado, Leco pressionou Juvêncio para demitir Muricy. Tanto que o treinador entregou o cargo depois da derrota para o Atlético Mineiro por 1 a 0, no Morumbi, pela quinta rodada do Brasileiro, quando o time ainda digeria a eliminação na Libertadores, diante do Grêmio. O presidente não aceitou o pedido e decidiu mantê-lo. O São Paulo se reergueu e foi campeão com quatro rodadas de antecedência e 15 pontos de vantagem sobre o vice Santos. Questionado sobre o que disse Muricy, Leco não quis comentar o assunto. Afirmou apenas que respeita o que é decidido pelo presidente. A verdade é que o dirigente não tolera mais o treinador. E não está sozinho. Os dirigentes mais próximos de Juvenal ainda estão tentando convencê-lo de que uma mudança seria benéfica. Tanto que decidiram conversar com Zico depois de ele ser oferecido por um empresário. Outros nomes de possíveis substitutos também estão sendo colocados na mesa do presidente. Muricy não está nem aí. E responde à situação, dizendo que não vai ficar muito tempo sem emprego. "Eles precisam saber que também tenho propostas. Não gosto de usar isso, mas tenho consultas, sei que tenho mercado." Um delas seria do Santos, que ontem disse adeus a Emerson Leão. Mas o técnico reafirmou que quer cumprir seu contrato com o São Paulo, até o fim de 2009. "Se fosse por dinheiro, eu já tinha ido embora faz tempo. Mas não penso só nisso. Hoje quero ficar mais perto da minha família." E, questionado sobre a chance de cair se perder o clássico contra o Santos, domingo, na Vila Belmiro, o técnico se diz tranqüilo. "Não me sinto ameaçado. Estou preparado para estar aqui. Não vejo pressão. Pressão é quando o cara chega para você e fala que se perder está fora. Até agora, isso não aconteceu." GRUPO FECHADO - O zagueiro Alex Silva afirmou que os jogadores confiam no trabalho de Muricy para conseguir repetir o que fez nos últimos dois anos, quando levou o São Paulo ao bicampeonato brasileiro. "A gente está fechado com ele e o pessoal da comissão técnica." O jogador não acredita que ele será demitido e aposta na recuperação da equipe, depois da dolorosa eliminação na Libertadores. "O Muricy é experiente, está acostumado com isso, já passou por situação assim, ganhou dois Brasileiros e tem que ser respeitado. Ele tem a confiança do presidente, até porque se fosse para sair, não estaria mais aqui." Se depender do elenco, o São Paulo irá reagir já no clássico. "É uma situação difícil, precisamos nos unir. Só nós mesmos podemos sair desta situação", prega Alex Silva.