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ESPORTES
Sábado, 14 de Julho de 2007, 14h:00

Mulheres brasileiras vão à luta no Pan-2007

ERICA AKIE HIDESHIMA
Da Agência Estado – Rio
Elas nunca gostaram muito de brincar de boneca. Andavam com os meninos, brincavam na rua e preferiam as brincadeiras de moleque. Natália Falavigna, do tae kwon do, Danielle Zangrando e Danielli Yuri, do judô, e Taís Rochel, da esgrima, são mulheres que vão à luta pelas medalhas de ouro no Pan do Rio. Algumas admitem que o preconceito ainda é um problema para as iniciantes dessas modalidades e outras como caratê e luta greco-romana. É o caso de Dani Yuri, de 23 anos, que pela primeira vez disputará uma edição dos Jogos Pan-Americanos. "Na minha família não tive problemas porque cresci nesse meio. Meu pai é professor de judô e tem uma academia no Japão. Mas existe preconceito, sim. Quando uma menina começa a despontar no judô, tem pais que preferem tirá-la do esporte para ela não ficar ‘falada’, não ser chamada de ‘sapatão’. Infelizmente, ainda acontece", diz a atleta da categoria meio-médio (-63 kg). Mas foi fora do tatame que Danielli travou a luta mais dura: a de se manter no esporte. Ela morou oito anos no Japão, onde estudava e trabalhava como dekassegui 12 horas por dia em uma fábrica de autopeças. "Juntei dinheiro e disse para meus pais que eu queria vir para o Brasil arrumar um clube para lutar. Consegui, é verdade, mas quase desisti porque estava sempre batendo na trave e nunca conseguia ser a titular do time brasileiro. Eu disse que se não conseguisse disputar o Pan do Rio, pegaria minhas coisas e voltaria para o Japão. Ainda bem que deu certo", declara, aliviada. Danielle Zangrando, de 27 anos, foi uma das pioneiras do judô em Santos. "Meu irmão fazia judô e eu queria fazer tudo igual a ele Na época, não tinha aulas para meninas. Pedi para treinar e meu pai deixou, pensando que eu ia apanhar e desistir em uma semana. Ele se enganou. Eu adorava bater nos meninos. Teve muito moleque que desistiu do judô por minha causa", diverte-se a judoca. A atleta discorda que ainda exista preconceito em sua modalidade: "Em todo meio tem esse preconceito. Mas hoje tem muita menina que não gosta de fazer balé e prefere fazer judô. Eu vejo isso acontecer em Santos." Danielli Zangrando lembra da infância, sempre rodeada de meninos "Eu era uma ‘maria-moleque’ mesmo. Tinha um monte de bonecas que ganhava de aniversário, mas nem gostava muito", admite a judoca da categoria leve (-57 kg). Outra que nem se importava com bonecas era Natália Falavigna. A atleta, de 23 anos, nasceu em Londrina (PR) e gostava de brincar na rua. "Eu tenho um irmão e uma irmã, e sempre me dei muito bem com meu irmão. A gente brincava de bola dentro de casa, subia e descia muro, e isso me ajudou muito quando comecei a fazer o tae kwon do. Eu comecei tarde, com 13 anos, mas tinha pique e noções do esporte por causa das brincadeiras com os meninos", conta Natália, que foi campeã mundial em sua categoria (+ 67 kg) em 2005 e bronze este ano. A lutadora, primeira brasileira a se destacar no cenário mundial de sua modalidade, agradece aos pais pelo apoio na escolha de um esporte pouco conhecido no Brasil. "Desde os quatro anos dizia que queria ganhar uma medalha em Olimpíada. Ela não entendia o motivo de eu ter escolhido o tae kwon do, mas nunca questionou, dizia para eu seguir meus sonhos." Taís Rochel, por sua vez, gostava mesmo era de brincar de boneca "Eu adorava Barbies", confessa. Mas ao seguir os passos do irmão, a paulistana deixou de lado as bonecas. "Meu irmão gostava do He-Man (desenho animado dos anos 80) e eu gostava da She-ra. Meu pai, não sei o porquê, arrumou um lugar para meu irmão treinar esgrima. Eu ia assistir e não gostava muito. Pedia para ir embora. Um dia o professor dele me chamou para treinar em vez de ir embora. Nunca mais larguei." Nem Natália nem Taís sofreram muito ao escolherem esportes tipicamente "masculinos". "Os meninos até brincavam por eu fazer luta, mas nunca houve preconceito por isso. Tinham medo de eu fazer lutas, mas já estava começando o colegial e levavam numa boa", lembra Natália. Taís, por sua vez, diverte-se e chama a atenção com seu florete. Quando passa pela Vila Pan-Americana, atrai o olhar dos rapazes. "A esgrima torneia, especialmente, bumbum e pernas. Mas eu gosto mesmo é dos meus braços", diz. Fora do esporte, a morena é estilista e deixa claro que está solteira: "Quem sabe até o fim do Pan eu não arrumo um namorado?"

Edição EDIÇÃO 16967




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