ESPORTES
Segunda-feira, 16 de Abril de 2007, 19h:36
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NATAÇÃO
Morre no Rio, aos 92 anos Mara Lenk
A pioneira da natação brasileira passou mal enquanto nadava na piscina do Flamengo. Foi socorrida, mas morreu no hospital
SÍLVIO BARSETTI E BRUNO LOUSADA
Da Agência Estado Rio
Pioneira da natação brasileira, Maria Lenk morreu ontem, aos 92 anos, depois de mais uma manhã rotineira de treinos. Ela passou mal na piscina do Flamengo e foi levada em seguida para o Hospital Copa DOr, em Copacabana, no Rio. Internada com insuficiência respiratória, chegou a sofrer uma parada cardíaca logo depois de os médicos constatarem um quadro de aneurisma com rompimento da aorta torácica e hemorragia. Maria Lenk estava se preparando para disputar no final do mês a prova de 1.500 metros do Campeonato Brasileiro de Masters, em Brasília. "Ela estava muito bem treinada e animada para a competição. Nós estamos em estado de choque. Como era de sua vontade, seu corpo vai ser cremado", disse Nanci Passos, sobrinha da nadadora. Primeira mulher a representar o Brasil em Jogos Olímpicos, em 1932, em Los Angeles, Maria Lenk cumpria com alegria suas tarefas matinais: acordava cedo e caminhava cerca de meio quilômetro até a sede do Flamengo, na Gávea. Sempre sozinha, dirigia-se para o vestiário do clube, trocava a roupa e em poucos minutos já estava na piscina: fazia alongamentos, cumprimentava os conhecidos e nadava por uma hora e meia, com pequenas interrupções. Depois, tomava um copo de café com leite ou um suco de laranja. Ontem, tudo parecia normal para os demais alunos da turma de masters do Flamengo. Maria Lenk nadava com desenvoltura, por volta das 10 horas, na piscina olímpica do clube. Dividia o espaço com outros 30 colegas. Um deles, o professor de pólo aquático Antônio Carlos Canetti, ocupava a mesma raia dela. "Eu disse quando cheguei à borda: Bom dia, Maria! Ela não me respondeu, estava concentrada, não deve ter ouvido. Percebi depois de nadarmos lado a lado cerca de 25 minutos sua cabeça meio curvada, dentro dágua. Pensei que estivesse se alongando. Eu então me aproximei para tirar a dúvida e a vi bebendo água", contou Canetti. Nervoso, Canetti pediu socorro à salva-vida de plantão, Ana Beatriz. O clima de apreensão tomou conta do parque aquático até a retirada da nadadora. "Foi um corre-corre. Todo mundo ficou muito preocupado", disse Célia Martins, também da turma de masters. "A gente já sabia que, pela idade, ela poderia partir a qualquer hora. Mas não esperava da forma como foi. A Maria Lenk é um mito." Assim como Célia Martins, os outros alunos deixaram a piscina rapidamente para tentar ajudar Maria Lenk. O médico do Flamengo, Álvaro Chaves, passava por perto e nem precisou ser chamado. Enquanto Canetti e Ana Beatriz carregavam a nadadora numa maca até o centro médico do clube, Álvaro Chaves já tomava ciência da gravidade do caso. Maria Lenk recebeu oxigênio e foi levada de ambulância para o Copa DOr, onde deu entrada às 11h02. Estava inconsciente, com insuficiência respiratória e quadro compatível com choque circulatório. Morreu às 13 horas (horário de Brasília), no momento em que os médicos se preparavam para uma cirurgia de emergência. Viúva e mãe de um casal de filhos - Gilbert e Marlen -, Maria Lenk deixa ainda dois netos. Os quatro parentes moram no exterior, nos Estados Unidos e nas Ilhas Fiji, mas devem estar presentes na cerimônia de cremação, amanhã, no Cemitério do Caju, no Rio. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) decretou luto por três dias e o Flamengo anunciou que o time vai atuar com uma tarja preta, quarta-feira, contra o Real Potosí, em jogo pela Libertadores. No entanto, a última grande homenagem que Maria Lenk recebeu ainda em vida foi dar nome ao parque aquático que está sendo construído no autódromo do Rio e será palco das competições nos Jogos Pan-Americanos, em julho.