ESPORTES
Sábado, 05 de Junho de 2010, 13h:09
A
A
Mokoena driblou o apartheid
ALMIR LEITE
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Aaron Mokoena é um recordista. Aos 18 anos, tornou-se o jogador mais jovem a vestir a camisa da seleção da África do Sul. Não foi superado até hoje. Na segunda-feira passada, aos 29, nos 5 a 0 sobre a Guatemala, se transformou no primeiro atleta a defender os "Bafana Bafana" por 100 partidas. "São marcas que me enchem de orgulho. Jamais vou esquecer", disse. Nem poderia, assim como não esquece outro episódio marcante em sua vida, este ocorrido quando ainda era garoto. Foi o dia em que sua mãe o vestiu de menina, temendo que ele fosse morto por forças de resistência ao fim do apartheid. Na época, Mokoena tinha 11 anos e morava na comunidade pobre de Vaal Boipatong, onde nasceu. Era noite de 17 de junho de 1992 e, de acordo com dados oficiais, 46 pessoas foram mortas a tiros, facadas e golpes de machado, algumas enquanto dormiam. O massacre foi organizado pelo partido radical Inkatha (que, descobriu-se depois, colaborava com o regime racista), com colaboração policial. Mokoena dormia quando a barbárie contra homens, mulheres (algumas grávidas) e crianças ocorreu. Ele só ficou sabendo na manhã seguinte ao ir para a escola. "No caminho, eu via gente chorando, muitas pessoas. Aí, começaram a falar que os assassinos iriam voltar, para matar os meninos", recordou o hoje capitão da seleção sul-africana. "Diziam que a intenção era evitar a formação de nova geração de homens com ideais de liberdade. Foi quando minha mãe pensou em me vestir de menina".