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ESPORTES
Quinta-feira, 26 de Julho de 2007, 20h:34

PAN -2007

Meninas ganham ouro

Foi um show. A seleção brasileira não tomou conhecimento das americanas. Capitaneadas por Marta aplicaram goleada

ROBSON MORELLI
Da Agência Estado – Rio
A delegação brasileira de futebol feminino deixou o Maracanã e os Jogos Pan-Americanos do Rio com uma conquista e uma promessa na bagagem. Conquistou o ouro, repetindo o feito de Santo Domingo em 2003. E, ao time comandado pela jogadora Marta, imortalizada no hall da fama do estádio após a premiação, a promessa de investimentos a curto prazo. Investimento no futebol de saias quer dizer criação de uma Liga Nacional, ajuda a clubes para manter equipes permanentes e realização de campeonatos regulares. Quem prometeu tudo isso numa tacada só foi o ministro dos Esportes, Orlando Silva Júnior em uma de suas visitas ao elenco na Vila do Pan. Ele esteve reunido algumas vezes com a delegação feminina e sua comissão técnica. É promessa de político já no cargo. Dá para confiar? As atletas do Brasil acham que sim. As meninas que desejam praticar a modalidade também ficaram confiantes. A campanha do futebol feminino nesses Jogos ainda pode ajudar o ministro nessa possível empreitada. Após a eliminação precoce dos garotos do sub-17, o país do futebol teve de se render ao time feminino, sua única esperança de conquista na modalidade. E elas não decepcionaram. Foram 33 gols marcados em seis partidas. E nenhum sofrido. Teve até um 10 a 0 sobre o Equador na fase classificatória. Na final, nesta quinta-feira, no Maracanã, outra goleada: 5 a 0 contra os Estados Unidos, para um público de quase 70 mil pessoas. "Quando ele (o ministro) esteve com a gente, nos falou de sua vontade de mudar esse cenário de abandono em que se encontra o futebol das mulheres. Ele prometeu ajudar e disse que estará diretamente envolvido nisso", comentou Marta. Não é de hoje que o futebol feminino sofre no País. A maioria das jogadoras atua fora do Brasil. É o caso da própria Marta, que joga na Suécia. Não pensa em voltar a não ser que as condições mudem da água para o vinho. As poucas meninas que encontram um time para jogar por aqui sofrem preconceito, ganham mal e convivem com a demissão da noite para o dia sem aviso prévio. Jogam hoje com medo de ver amanhã seus clubes fecharem as portas. O técnico Jorge Barcellos entrega o assunto para os dirigentes. "Nós, profissionais de campo, comissão técnica e atletas, estamos fazendo a nossa parte. Não cabe a nós tomarmos essa iniciativa. Isso é coisa para dirigentes. Mas não acredito que o futebol feminino esteja atrasado em relação a outras escolas por aí", comentou. "Vimos aqui no Maracanã que basta organizar um pouquinho que o público aparece. Basta dar condições. As pessoas devem se mobilizar para fazer o esporte crescer." Marta e Barcellos também saíram em defesa da CBF, a responsável pelo futebol feminino e masculino no Brasil. Para eles, a entidade é apenas um braço dessa engrenagem a ser cobrado. "A CBF ainda mantém a seleção em atividade, mas não depende somente dela para que a modalidade se desenvolva", disse Marta. "É preciso que os clubes se envolvam, assim como o governo. Todos juntos devemos buscar soluções para o futebol feminino. Todos." A seleção brasileira disputará agora o Mundial da categoria, em setembro, na China. Ainda não está garantida para os Jogos olímpicos de Pequim, no ano que vem. Na última olimpíada, o time ficou com a prata após perder para os Estados Unidos. "Ainda teremos uma chance para Pequim que será dia 8 de abril, numa partida de repescagem, contra Gana, num país da África, que ainda não sabemos qual será", disse Barcellos. "Se a gente ganhar, vamos para a China." O JOGO - Quem esperava um jogo equilibrado na decisão do Pan ficou surpreso com a superioridade brasileira, mostrada desde o início da partida. Os Estados Unidos estavam com sua equipe sub-20, é certo, mas ficou no público a impressão de que, com o apoio recebido das arquibancadas do Maracanã, o Brasil venceria qualquer seleção do mundo ontem. Logo no primeiro minuto, cruzamento de Cristiane quase surpreendeu a goleira Naeher. Aos 7, Marta teve a sua primeira chance. Sozinha dentro da área, ela bateu por cima do gol. O primeiro gol veio aos 17, em cobrança de pênalti de Marta. Rosana foi derrubada na área por Nogueira e a estrela maior brasileira bateu no canto esquerdo da goleira. Aos 28, o segundo: Escanteio batido por Daniela Alves, Aline escora e Cristiane, de cabeça, completa: 2 a 0. O público ovacionava as atletas, que em alguns momentos jogaram para a torcida, tentando dribles desconcertantes e toques ousados. Após o intervalo, o Brasil voltou ainda melhor. Logo aos 3, Marta fez excelente passe que deixou Cristiane na cara do gol. Era o terceiro gol. Os Estados Unidos atacavam pouco, estavam dominados. Aos 10 da segunda etapa, Marta sofreu e bateu o pênalti que originou o quarto gol brasileiro. As meninas do futebol já ouviam os gritos de "é campeão" das arquibancadas e passaram a brincar em campo. Fecharam o placar após mais um passe perfeito de Marta. Daniela Alves, aos 30 minutos, recebeu na área, escolheu onde bater e fulminou: 5 a 0, goleada mais do que merecida para a seleção. MARTA É IMORTALIZADA - Após o jogo e a entrega das medalhas, na qual Marta chorou muito, a melhor jogadora do mundo, eleita no ano passado pela Fifa, imortalizou seu nome, com a marca de seus pés, no hall da fama do Maracanã. A marca da jogadora ficou ao lado dos pés de Júnior e Zinho. Também estão no hall da fama do Maracanã nomes como Pelé, Zico, Garrincha, Beckenbauer, Romário. "Que isso sirva de exemplo e não esqueçam o futebol feminino depois que acabar o Pan", declarou Marta. BRASIL - 5 Andréia; Aline, Renata Costa e Tânia; Elaine, Daniela Alves, Formiga, Marta e Rosana (Kátia Cilene); Cristiane (Pretinha) e Maycon. Técnico: Jorge Barcellos ESTADOS UNIDOS - 0 Naeher; Taylor, Fountain, Marshall e Wilmoth (Enyeart); Heath, Wright, Edwards e Nogueira; Cheney e O'Hara. Técnica: Jillian Jones Local: Estádio Mário Filho (Maracanã) Árbitro: Fernando Cabrera (URU) Auxiliares: Carlos Pastorino (URU) e Marvin Ramirez (CRC) Cartão amarelo: Taylor (EUA) Gols: Marta (BRA), aos 18min, e Cristiane (BRA), aos 28min do primeiro tempo; Cristiane (BRA), aos 3min, Marta (BRA), aos 20min, e Daniela Alves (BRA), aos 30min do segundo tempo

Edição EDIÇÃO 16967




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