ESPORTES
Segunda-feira, 22 de Março de 2010, 20h:58
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CORINTHIANS
Mano Menezes enfrenta insatisfação
Vários jogadores considerados chaves, como Ronaldo, mostram insatisfação com esquema tático e substituições
MARCEL RIZZO
Da Agência Estado São Paulo
Um elenco formado por jogadores experientes traz segurança em competições equilibradas, mas também dor de cabeça para o treinador administrar egos. Se em 2008 e 2009 Mano Menezes trabalhou no Corinthians com grupo formado por atletas jovens e que procuravam cavar espaço depois de passagens frustradas em outros times grandes - a exceção no ano passado, claro, é Ronaldo -, nesta temporada o perfil é outro: jogadores rodados, com títulos no currículo, e que não aceitam passivamente o banco de reservas Pela primeira vez desde que assumiu o time, em dezembro de 2007, o técnico convive com turbulências no elenco. "Não há crise, isso é mentira. Não vou ser hipócrita de falar que um ou outro jogador não gosta de ficar no banco, mas não há problema entre o Mano e o Ronaldo ou com qualquer outro jogador", disse, revoltado, o presidente Andres Sanches. A relação entre Mano e Ronaldo é profissional, mas não um conto de fadas. O jogador já deixou claro que odeia ficar concentrado por períodos longos e o técnico usa justamente as concentrações como uma de sua principais estratégias de trabalho. Após o clássico contra o Santos, o Fenômeno disse que o time havia feito dois jogos seguidos com o mesmo esquema e jogadores e faltava segurança. Quarta-feira passada, soltou um palavrão ao ser substituído em Assunção, depois de marcar o gol da vitória sobre o Cerro Porteño. Publicamente, Mano minimizou todas essas reclamações do craque. Dentro do vestiário, já o cobrou sobre a hierarquia. "O ambiente de vestiário é bom. Não tenho que vir a público desmentir algo que não é verdadeiro", disse Roberto Carlos, amigo pessoal de Ronaldo. PSICOLOGIA - Não é só apenas Ronaldo que está insatisfeito com algumas situações. Como o próprio Mano Menezes costuma dizer, ele tem somente 11 vagas para titulares, 18 para um jogo e teve 25 para a Libertadores. Iarley, por exemplo, deixou de ser titular e hoje disputa espaço no banco. Edu normalmente é cortado das viagens e o argentino Escudero nem sequer foi inscrito para a competição sul-americana depois de chutar uma garrafa de água, que estava na beirada do gramado, em uma derrota para a Ponte Preta, em fevereiro. Com 30 jogadores no elenco depois da saída de Edno, emprestado ao Botafogo, Mano imaginava que conseguiria agradar a todos porque utilizaria a maioria dos jogadores no revezamento entre Paulista e Libertadores. Mas nem todos demonstraram qualidade mesmo para participar do rodízio. Edu, por exemplo, tem dificuldade de se readaptar ao futebol brasileiro, depois de quase dez anos na Europa. Apesar de ser uma espécie de "braço direito" de Mano Menezes no bate papo com os atletas, até para discutir posicionamento tático, Edu já reclamou que gostaria de ter uma sequência maior de partidas. Mano sabia que teria de contornar situações embaraçosas contratando jogadores mais experientes. Na Série B e na temporada 2009, houve apenas problema com Felipe, depois da perda da Copa do Brasil do ano retrasado. O afastamento do jogador foi tratado internamente. Algo que está difícil de se fazer agora.