ESPORTES
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008, 20h:54
A
A
TOALHA NO CHÃO
Kaká descarta presença na Olimpíada
O jogador, que ontem passou por uma cirurgia no joelho, disse que sua equipe, o Milan, não aceita liberá-lo para a competição
BRUNO LOUSADA
Da Agência Estado - Rio
Eleito pela Fifa como o melhor jogador do mundo em 2007, o meia-atacante Kaká admitiu pela primeira vez que está mesmo fora dos Jogos Olímpicos de Pequim, em agosto. Diante da postura firme do Milan de não liberá-lo para atuar pela seleção brasileira, ele jogou a tolha ontem, em rápida entrevista concedida no hall do Hospital Pasteur, no Méier (zona norte do Rio), antes de passar por uma artroscopia no menisco lateral do joelho esquerdo. A cirurgia feita pelo médico José Luiz Runco, do Flamengo e da seleção brasileira, foi bem sucedida e durou 50 minutos. O tempo previsto de recuperação é de 15 dias. "Já dei minha disponibilidade para jogar a Olimpíada. Mas o Milan exerceu um direito que é do clube", declarou Kaká. A convocação dele para os Jogos Olímpicos foi anunciada de forma surpreendente pelo técnico Dunga na semana passada, numa clara estratégia do comandante da seleção para transferir para o jogador a responsabilidade de sua presença em Pequim. "Sei do esforço que fiz para ir para Pequim, mas o Milan exerceu seu direito. Aí já não posso fazer mais nada", admitiu Kaká, que tem 26 anos e seria um dos três jogadores acima da idade limite (23 anos) chamados por Dunga para disputar a Olimpíada. Para o ex-jogador Leonardo, que é dirigente do Milan, não existe nenhum conflito entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e o clube italiano por conta da não liberação de Kaká. Ele esteve nesta sexta-feira no hospital, e disse que a entidade já assimilou que nenhum time é obrigado a ceder seus jogadores acima de 23 anos para disputar a Olimpíada, pois esta competição não faz parte do calendário oficial da Fifa. OPERAÇÃO - Acompanhado do médico do Milan, Massimiliano Sala, Kaká chegou ao hospital ontem, por volta de 8 horas, demonstrando tensão. Cercado por microfones e câmeras dos jornalistas que o estavam esperando, ele admitiu certa ansiedade, pois iria ser submetido à primeira cirurgia de sua carreira como jogador de futebol. "O Milan fez de tudo para evitar essa operação, mas chegou o momento que não tinha mais para onde ir", explicou Kaká, que vinha sofrendo com dores no joelho esquerdo há bastante tempo. "A contusão de Kaká é causada pela sobrecarga nos movimentos de rotação, corrida e frenagem. É como se ele tivesse uma pedra no sapato. Incomodava bastante", explicou o médico José Luiz Runco. Kaká vai receber alta hoje, deixando o hospital no Rio e começando imediatamente o trabalho de fisioterapia, que será realizado no Reffis (Reabilitação Esportiva Fisioterápica e Fisiológica) do São Paulo, seu ex-clube. A expectativa é de que ele se reapresente ao Milan apenas para a pré-temporada, em meados de julho. Por conta da artroscopia, Kaká ficará de fora dos dois próximos amistosos da seleção brasileira, para os quais ele já estava convocado. O Brasil jogará no dia 31 de maio, contra o Canadá, e no dia 6 de junho, diante da Venezuela - ambos serão nos Estados Unidos. Apesar disso, ainda há chance de Kaká voltar à seleção nas duas próximas rodadas das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010: dia 15 de junho, contra o Paraguai, em Assunção, e dia 18 de junho, diante da Argentina, em Belo Horizonte. "Vou observar se ele vai ser aproveitado. Não vai haver precipitação", explicou Runco, deixando a dúvida sobre a presença do jogador.