ESPORTES
Segunda-feira, 19 de Junho de 2006, 19h:44
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Juninho se conforma com reserva
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Da Folhapress Bergisch Gladbach, Alemanha
Apontado antes do Mundial como um dos principais candidatos a "roubar" uma vaga no time pré-montado por Carlos Alberto Parreira e classificado pelo próprio treinador como um reserva de luxo, o meia Juninho não consegue esconder sua decepção após não ter participado de nenhum dos dois primeiros jogos do Brasil na Copa do Mundo-2006. Ontem, o jogador admitiu que já beira a decepção e começa a conformar-se em "não atrapalhar o ambiente". "Ainda não chega a ser uma decepção, porque a competição ainda não terminou, mas é lógico que eu gostaria de ter entrado, de ter participado de alguma forma. É lógico que é difícil para o treinador definir quem ele tem que colocar durante o jogo. Mas nos classificamos e teremos pelo menos mais dois jogos pela frente. Espero que sejam mais cinco, e até lá continua a esperança de ainda poder entrar", disse. Político e bem articulado, Juninho revelou que precisa saber conter a expectativa de jogar e a cobrança sobre o técnico para não criar um clima pesado no grupo. "O segredo é também ficar preparado para não jogar, para não atrapalhar. Temos que saber que isso pode acontecer e temos que tentar de alguma forma não atrapalhar o ambiente e não atrapalhar o grupo." Para o jogo de quinta-feira, contra o Japão, que fecha a participação da já classificada seleção brasileira na primeira fase, o meia disse não saber se vai ser escalado. "Eu acho que tenho chance de jogar sempre. O treinador é que define quem deve começar. É difícil saber em que posição, ou se vou jogar ou não. Só posso dizer que estou com vontade, como todos os outros", afirmou. Visivelmente irritado após a vitória por 2 a 0 sobre a Austrália, Juninho negou-se a dar entrevistas - inclusive para a imprensa internacional. "Quem tem que falar é quem joga. É muito fácil ver de fora. E analisar o companheiro talvez não seja tão ético", explicou. Resultado apertados - No primeiro jogo, 1 a 0 magro sobre a Croácia. No segundo, 2 a 0 sobre a Austrália, inexpressiva no cenário internacional do futebol. Quem se assustou com as dificuldades da seleção brasileira nas duas primeiras partidas da Copa-2006 pode se preparar para mais sofrimento pelo frente. Pelo menos essa é a previsão do meia Juninho, que aguarda uma chance de entrar em campo pela primeira vez no Mundial na quinta-feira, contra o Japão, em Dortmund. "Essa Copa está provando, e é bom a gente pensar nisso agora, que o nível [dos times] está muito alto. Está sendo muito difícil segurar resultado, está sendo muito difícil vencer os jogos. É melhor abrir o olho agora e saber que para ganhar a Copa vai ter muito sofrimento", alertou o jogador ontem. Juninho exaltou a atuação dos rivais brasileiros e lembrou até de times que já foram eliminados. "A Austrália jogou muito bem contra nós. Quem diria, há dez anos, que a Austrália encararia o Brasil como encarou. O mesmo com a Croácia", afirmou o meia, que citou ainda Costa do Marfim e Irã.