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ESPORTES
Quinta-feira, 08 de Maio de 2008, 20h:58

FLAMENGO

Joel busca explicações para o vexame

Ex-técnico do time carioca não sabe o que aconteceu com o time. Marcinho diz que faltou respeito ao adversário mexicano

LEONARDO MAIA
Da Agência Estado – Rio
Depois de perder por 3 a 0 para o América (México), na noite de quarta-feira, num Maracanã com mais de 50 mil torcedores, o Flamengo ainda busca explicações para o vexame histórico. Mesmo porque, o resultado custou a eliminação flamenguista nas oitavas-de-final da Libertadores, quando a vaga já parecia garantida. "Acho que a gente não soube respeitar o América como deveríamos", opinou o meia Marcinho, artilheiro do Flamengo na Libertadores, com cinco gols, ao tentar justificar a derrota de quarta-feira. O desrespeito citado por Marcinho pode ser traduzido na confiança exagerada dos flamenguistas, que já se consideravam classificados para as quartas-de-final, depois de terem vencido o jogo de ida, no México, por 4 a 2. Além disso, o time vivia o clima de euforia pela conquista do bicampeonato carioca, conseguida no último domingo. Dentro de campo, o Flamengo até que dominou as ações nas duas etapas do jogo, tendo perdido diversas oportunidades de gols. Mas o América, nas poucas vezes que se aproximou da área adversária, fez o que precisava para sair com a vitória por três gols de diferença, exatamente o resultado que lhe dava a classificação. "Eles vieram fechadinhos e aproveitaram nossas falhas. Tomamos dois gols incríveis", lamentou o técnico Joel Santana, lembrando dos dois gols do atacante paraguaio Cabañas, nos quais a bola desviou no meio do caminho e enganou o goleiro Bruno. "Gostaria de ter deixado o clube em seu devido lugar. Mas a equipe tem saldo positivo. Não vamos culpar os jogadores." O jogo de quarta-feira era para ter sido uma grande festa. Afinal, marcava a despedida de Joel Santana, que irá comandar a seleção da África do Sul - houve até uma homenagem ao treinador, no centro do gramado do Maracanã, antes do apito inicial do árbitro. E tudo isso parece ter contribuído para tirar a concentração dos jogadores no adversário dentro de campo. Ainda no vestiário, antes do jogo, o zagueiro e capitão Fábio Luciano foi vetado, por contusão, e Joel Santana optou por barrar o volante Cristian, um dos melhores jogadores do time nas últimas partidas. Além disso, o técnico discutiu com o também volante Jônatas, que reclamou por não ter sido relacionado para a partida contra o Botafogo. "Eles vinham com uma formação diferente daquela do México, optei por uma troca e coloquei o Kléberson no lugar do Cristian", contou Joel, ainda sem entender direito a derrota. "Explicar é difícil. Eu falei lá no México que não tinha acabado. Eu estava preocupado." De qualquer maneira, Joel acredita que não houve excesso de confiança entre os jogadores do Flamengo. "A equipe tentou, foi briosa, mas não tivemos o pé que empurrasse a bola para dentro. Não vamos fazer disso uma tragédia", pediu o treinador, antes de se despedir do clube. A torcida do Flamengo não entendeu tão bem assim. Na saída do vestiário do Maracanã, já na madrugada desta quinta-feira, alguns torcedores hostilizaram os jogadores e quatro deles foram presos, por tentar atingir o ônibus da delegação com sinalizadores e pedras. No dia seguinte, no entanto, o ambiente foi de tranqüila tristeza na Gávea. Contratado para o lugar de Joel Santana, o técnico Caio Júnior começou efetivamente seu trabalho e comandou o primeiro treino, ontem, quando os jogadores reservas realizaram um treino tático. Enquanto isso, os titulares da partida contra o América fizeram apenas exercícios físicos e deixaram o clube pouco depois. Apesar da paz no primeiro dia de trabalho, Caio Júnior, que conversou durante 16 minutos com os jogadores antes do treino, terá a dura missão de recuperar o astral do time para a estréia no Campeonato Brasileiro, domingo, contra o Santos, no Maracanã - o estádio estará com portões fechados, para cumprir punição imposta pelo STJD.

Edição EDIÇÃO 16961




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