ESPORTES
Sexta-feira, 28 de Maio de 2010, 20h:50
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Ídolo, Taffarel vai a campo para treinar com os goleiros
ROBSON MORELLI
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Antes de o telefone tocar, Taffarel dizia a amigos que iria assistir a Copa do Mundo da África do Sul em sua casa, com a família, diante da tevê. Seria mais um dos milhões de brasileiros na torcida pela seleção de Dunga. Do outro lado da linha, quando atendeu aquele telefonema, a notícia que o pegou de sopetão: ele seria integrante da comissão, como observador. Era Dunga lhe fazendo o convite, prontamente aceito. Taffarel fez as malas e esperou o dia do embarque. Dunga sabia quando desligou aquele telefone que estava trazendo para perto não apenas um ex-goleiro campeão do mundo como ele, em 1994, nos EUA, mas um ídolo da posição, referência para seus goleiros. Pequeno perto dos grandalhões Doni e Gomes - Julio Cesar é mais baixinho -, Taffarel, jeito acanhado perto do tamanho de sua história, foi reverenciado pelos três jogadores que como ele um dia fez defendem hoje a seleção brasileira. Gomes foi quem puxou a fila dos elogios ao mestre e agora também seu novo parceiro. "Isso é um sonho", disse, referindo-se ao fato de estar ao lado do 'grande' Taffarel em sua primeira Copa na carreira. Goleiro é uma posição diferente. Quem joga no gol sempre diz isso. E poucos são lembrados quando penduram as luvas. Acabam desaparecendo no anonimato comum dos aposentados. Taffarel, como seu viu ontem, continua diferenciado mesmo depois de parar. "Sua presença foi especial para todos nós Quando comecei a ver copas, as de 1990 e 1994, o Taffarel era a referência". O ex-goleiro virou bordão nacional durante o Mundial de 1994 na boca do narrador Galvão Bueno, da Rede Globo. "Sai que é tua, Taffarel" foi hit da molecada a cada defesa nos campinhos de futebol do País. Gomes também agradece ao ex-atleta o fato de ele ter aberto as portas da Europa para jogadores de sua posição. Foi o primeiro a brilhar lá fora. Ele atuou no italiano Parma após o Mundial de 1990. E foi logo para um país onde a tradição sempre foi destacar seus grandes goleiros. A verdade é que não era para Taffarel estar de agasalho da delegação no primeiro treino do time pra valer no Randburg High School. Ele foi convocado para observar os adversários da seleção na África do Sul. Ocorre que não dava para desperdiçar a presença e a experiência dele na delegação. Foi quando o preparador de goleiros Wendel Ramalho o convidou para ajudar. Dar uma mãozinha. Taffarel não pensou duas vezes. De aposentado na tranquilidade de sua casa em Porto Alegre, lá estava ele novamente debaixo de um gol ajudando Julio Cesar, Doni e Gomes numa Copa do Mundo. "Isso aqui também é um sonho para mim. Vivo um momento empolgante. Iria ficar em casa vendo a Copa. Já estive em três Mundiais e agora parece que estou na minha primeira vez. Vou ajudar onde for preciso". E foi o que fez durante o trabalho de campo. Taffarel não precisava disso. Reconhecidamente foi um dos grandes jogadores da posição no Brasil. Disputou as Copas de 1990, 94 e também a de 1998. Todas como titular. Fez 18 partidas e tem o recorde de tempo em campo de um brasileiro na competição: 1.680 minutos. "Ele não era de pular muito nas bolas, mas sabia exatamente aonde ela ia", destacou Doni, que briga com Gomes para ser o segundo goleiro do time na África. Dunga ainda não definiu quem será o imediato de Julio Cesar.