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Terça-feira, 06 de Julho de 2010, 21h:18

COPA NO BRASIL

Gilberto Kassab prioriza Morumbi

JAMIL CHADE E ROBSON MORELLI
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), desembarcou ontem em Johannesburgo comprometido a se encontrar com representantes da Fifa e do Comitê Organizador da Copa do Mundo de 2014. Tenta a todo custo uma hora na agenda dos membros da entidade. Oficialmente, ele veio para conhecer a África do Sul e dar a impressão de que continua lutando pelo Morumbi no Mundial. Nos bastidores, quer definir a participação da cidade de São Paulo na competição e apresentar o projeto do estádio em Pirituba como a alternativa. Mas corre contra o tempo. São Paulo é a sede mais problemática de 2014 porque ainda não oficializou seu estádio. Apresentou seis projetos de reformas do Morumbi e nenhum foi suficiente para convencer os organizadores - Jérôme Valcke, Joseph Blatter e Ricardo Teixeira. A Fifa espera poder fazer o anúncio sobre um início de definição de São Paulo na conferência de imprensa que Teixeira e Valcke darão amanhã em Johannesburgo, horas antes de um evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Kassab repetiu mais de cinco vezes em 15 minutos de conversa com os repórteres da Agência Estado sobre a sua disposição de levantar outro estádio na capital, mas desde que não seja com o dinheiro público e nem em terrenos doados pela prefeitura. Apesar da condição imposta, a declaração deixou claro que o prefeito trabalha com a hipótese. Os jornalistas foram claros ao perguntar se o plano B de São Paulo após a exclusão do Morumbi para a abertura do Mundial era o "Piritubão", um complexo esportivo e público na zona norte. Ele não negou. "Se isso acontecer, um novo estádio em Piritiba com dinheiro da iniciativa privada, serei o primeiro a aplaudir" Ele explicou a necessidade de licitações para as obras e a urgência para se conseguir e anunciar os investidores, mas chegou a elogiar o local. "O licenciamento da obra prevê conclusão para 2020. É possível acelerar este projeto, mas dependerá de que tipo de investimento a empresa licenciada adotará. O local fica em uma área bem localizada, com uma linha de trem da CPTM e próximo ao encontro do Rodoanel com a rodovia dos Bandeirantes", disse. Ele também admite que o projeto original para o "Piritubão" - de ser um estádio para 50 mil pessoas - teria de ser incrementado para 65 mil para atender às exigências da Fifa. O poder público já tem um projeto de investimento para o local, mas a conta-gotas, com a finalização da construção de uma arena prevista para 2020. Kassab disse ainda da necessidade de ter tudo pronto até 2013, para a Copa das Confederações. O prefeito foi recepcionado ontem no aeroporto por representantes do Comitê Paulista de 2014, que já estavam na cidade havia um dia. Com ele, veio o secretário de planejamento urbano de São Paulo, Miguel Bucalem, que conheceu nesta terça mesmo, juntamente com Kassab o Ellis Park, um estádio acanhado encravado no bairro de Hillbrow, um dos mais perigosos da cidade. JOGO DE CENA - O prefeito de São Paulo manteve, no entanto, um discurso pró-Morumbi, fato que deixou profundamente irritados alguns membros do Comitê Central da Copa de 2014 ao saber do conteúdo das declarações de Kassab. Além de a Fifa ter descartado o estádio do São Paulo, o clube não apresentou as garantias financeiras necessárias para as reformas propostas, perto dos R$ 600 milhões. Kassab disse que fará um último "apelo" à Fifa/Comitê Central pelo Morumbi. "Nós ainda não descartamos o Morumbi. Ele ainda é nossa primeira opção. O governador Alberto Goldman, que é o coordenador do Comitê Paulista, disse que fará uma reunião com a Fifa e com o Ricardo Teixeira. Não posso desistir se o meu coordenador diz que ainda terá esta conversa final. Ele fará o último apelo. Ainda acreditamos nessa possibilidade", disse Kassab. Puro jogo de cena e uma tentativa de mostrar publicamente que ainda lutou pelo estádio. "Não vamos colocar dinheiro público na construção de um novo estádio. E há crédito financiado para quem se interessar (no caso o São Paulo)", disse. Kassab chegou a dizer que está disposto a abrir mão do jogo inaugural da Copa e reduzir São Paulo a uma sede menor no Mundial. "Se não der para São Paulo abrir a competição, o Rio de Janeiro fará isso e também a final", disse Kassab, antecipando-se até ao que pensa e deseja o Comitê Organizador Central. "Não posso descartar a abertura, que seria injusto com o povo de São Paulo. Mas temos que saber que está difícil e que existem outras opções. O povo brasileiro pode ficar tranquilo que se a cidade não receber a abertura, existem outros locais como o Maracanã, por exemplo. Aqui na África do Sul foi assim. O mesmo lugar da abertura será do encerramento", explicou. Ocorre que o prefeito sabe que a Fifa e o Comitê querem que São Paulo abra o Mundial. Isso já foi dito com todas as letras. Não se pensa em São Paulo como sede de partidas menores do torneio. É notória a importância da cidade para o evento.

Edição EDIÇÃO 16967




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