Depois da confusão protagonizados por africanos que ameaçam greve, Fifa pretende comandar a questão dos bichos dos jogadores
RAFAEL REIS
Da Folhapress Rio de Janeiro
As ameaças de greve protagonizadas por três seleções africanas antes e durante a Copa do Mundo podem fazer com que a Fifa mude as regras no pagamento das premiações aos jogadores por participação na competição. O secretário-geral Jérôme Valcke defendeu ontem que a entidade tenha acesso aos contratos selados entre as associações nacionais e os atletas que determinam os "bichos". "Temos de selar um acordo entre federações e atletas para o pagamento dessas premiações. É muito triste essa história de greves e pagamentos em dinheiro vivo", disse Valcke. "Não é a primeira vez que acontece. Vamos nos certificar para que solicitemos às federações nacionais que passem a fornecer os contratos. Os jogadores têm o direito de receber", acrescentou o cartola. Cada uma das 32 seleções da Copa recebe no mínimo US$ 9,5 milhões (R$ 21 milhões) para cobrir os gastos de preparação com o Mundial, entre eles, o pagamento de premiações aos jogadores convocados. Mas jogadores de Gana, Camarões e Nigéria reclamaram das premiações prometidas por suas federações e ameaçaram não disputar o Mundial. O caso mais espetacular envolveu os ganenses. Os jogadores ameaçaram não entrar em campo contra Portugal, na quinta-feira, pela última rodada do Grupo G, se não recebessem a premiação que o governo do país havia prometido a eles. Foi preciso uma operação hollywoodiana para evitar o W.O.. Os R$ 6,5 milhões chegaram a Brasília em dinheiro vivo, transportado em um avião. De lá, seis carros da PM e outros dois sem timbre escoltaram o veículo que levou o prêmio ao hotel onde a delegação estava. A Nigéria, uma das duas seleções africanas classificadas para as oitavas de final, vive uma crise semelhante. Os jogadores fizeram uma reunião na quinta e ameaçaram paralisar as atividades. A justificativa é a mesma dada pelos atletas de Gana. A premiação por participar do Mundial ainda não chegou. Já com Camarões, eliminado da Copa na primeira fase, com três derrotas, o entrevero aconteceu antes mesmo do Mundial. Liderados pelo veterano atacante Samuel Eto'o, os jogadores chegaram a adiar a viagem para o Brasil e ameaçaram não disputar a Copa do Mundo enquanto não recebessem o bicho. O elenco só entrou no avião rumo ao Mundial depois que um acordo foi selado e cada atleta recebeu cerca de R$ 250 mil, em espécie, como "bicho".