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ESPORTES
Quinta-feira, 19 de Agosto de 2010, 21h:58

INTERNACIONAL

Festa toma conta de Porto Alegre

RAPHAEL RAMOS
Da Agência Estado - Porto Alegre, SJ
O segundo título do Internacional na Libertadores começou a ser construído bem antes da estreia na competição, no dia 23 de fevereiro, quando bateu o Emelec por 2 a 1 no Beira-Rio. Em janeiro, durante a pré-temporada da equipe em Bento Gonçalves, cidade distante 109 quilômetros de Porto Alegre, diretoria, jogadores e comissão técnica fizeram uma reunião na qual traçaram um plano bem ambicioso: "Queremos tudo de novo". Por tudo, leia-se os títulos da Libertadores e Mundial. O clube gaúcho, que já havia conquistado essas duas competições títulos em 2006, queria repetir a dose. A primeira parte foi concluída com sucesso na última quarta-feira, quando foi campeão continental. Agora, o Inter mira o Mundial, que será disputado em dezembro, em Abu Dabi, nos Emirados Árabes Unidos. E o verbo "querer" continua sendo o principal combustível: a camiseta comemorativa ao bi da Libertadores, lançada nesta quinta, traz nas costas os dizeres "quero Abu Dabi". O departamento de marketing do Inter espera vender cerca de 30 mil unidades da camiseta comemorativa em 45 dias. A previsão é de que sejam arrecadados cerca de R$ 150 mil com o produto. É justamente com ações como essa que o clube, mesmo com receitas de patrocínio bem menores do que rivais do eixo Rio-São Paulo, consegue contratar jogadores de peso e pagar salários milionários. Do Banrisul, o Inter recebe R$ 7 milhões por ano - em 2009 eram 3,7 milhões. Valores muito abaixo dos do Corinthians, por exemplo, que atingiu os R$ 38 milhões de patrocínio nesta temporada. Mas "querer tudo" é o desejo de todos os clubes. O diferencial é como fazer para "conquistar tudo". E essa história vencedora do Inter começa em 2002. Em 17 de novembro daquele ano, o time bateu o Paysandu por 2 a 0 em Belém e se livrou do rebaixamento para a Série B do Brasileiro pela segunda vez em quatro anos - a outra foi em 1999. O então presidente Fernando Carvalho estava no começo do seu mandato e propôs uma mudança de gestão. Para ele, era essencial que os dirigentes deixassem o imediatismo de lado e passassem a pensar mais a longo prazo. O seu plano de metas era ganhar um título internacional até 2009, ano do centenário do clube, e formar jogadores para fazer bons negócios com o exterior, além de aumentar o número de sócios. "Um dos aspectos fundamentais para o nosso sucesso é que passamos a ter planejamento para trabalhar. Foi montada uma estratégia com objetivos a serem atingidos", conta o diretor executivo de futebol Newton Albuquerque Drummond. O clube passou a fazer contratos mais longos com os atletas - preferencialmente três anos - e a montar equipes mesclando jovens da base com jogadores mais rodados. "Os atletas ficam pelo menos dois anos. Assim, os atletas da base que não são fora de série, mas são bons jogadores, têm em quem se espelhar e encontram condições para amadurecer e manter o equilíbrio da equipe", explica Newton Albuquerque Drummond. Segurar atletas por mais tempo do que boa parte dos clubes do País, no entanto, não significa que a venda de jogadores não seja parte importante das finanças do clube. Muito pelo contrário. Fernando Carvalho, hoje vice-presidente de futebol, não esconde de ninguém que o Inter tem de vender pelo menos dois jogadores por ano para pagar suas contas. Na hora de recompor o elenco, a preferência é por atletas com identidade com o clube. Foi assim com Tinga, Renan e Rafael Sóbis que voltaram neste ano para ajudar no bi da Libertadores. Tudo com a ajuda de 104 mil associados, que geram uma receita de R$ 36 milhões por ano.

Edição EDIÇÃO 16966




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