ESPORTES
Quinta-feira, 12 de Junho de 2014, 20h:45
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ABERTURA
Festa de abertura não empolga público
O torcedor que foi ao Itaquerão ver a vitória da seleção brasileira diante da Croácia não conseguiu se empolgar com a festa de abertura
ROBERTO DE OLIVEIRA
Da Folhapress São Paulo, SP
Aquelas araucárias gigantes, que tentavam se equilibrar sobre pernas de pau, sintetizam bem a faceta manca da cerimônia de aberta da Copa do Mundo ontem, no Itaquerão. Eram 14h15 quando tudo começou, provocando abrição de boca de quem insistiu em manter-se sentado. Muitos apressaram-se em garantir a cervejinha. Era o momento. Comida já não havia mais, e, minutos depois, a cerveja teria o mesmo fim. Num país de uma diversidade natural como o Brasil, a belga Daphné Cornez, diretora artística do show de abertura, fez uma aposta míope: limitou-se a colocar umas florzinhas rodopiantes, de cor opaca, no meio das araucárias gigantes de perna de pau. Ninguém entendeu ao certo o que fazia aquele canhão no meio da abertura. Seria uma referência à Revolução Farroupilha? Mas a equipe gaúcha da apresentação estava tão apagadinha que passou batida pelo armamento. Que nada outra alegoria sem serventia. Enquanto isso, o público se apressava nas selfies, afinal, o 3G do estádio fazia pirraça: pegava quando queria. A miscelânea que se via ali não reproduzia a mistureba brasileira. Coube à bola, ao se abrir no centro do campo, sacudir a galera. De dentro dela, Claudia Leitte, cantando "Aquarela do Brasil". Delírio! Na verdade, funcionou como uma introdução para o aparecimento, na sequência, do rapper americano Pitbull e de Jennifer Lopez, com o fiasco "We are One (Ole Ola)". O público ensaia uma animação. Todo mundo se levanta, dá uma remexida aqui, uma sacudida ali, mas ninguém canta nada. Mentira: engasga o refrãozinho "Ole, Ola". E só! Mas, afinal, como canta Claudia Leitte num trecho em português da canção, "torcer, chorar, sorrir, gritar, não importa o resultado, vamos estravasar". Então tá!