Comandar a Seleção em uma Copa do Mundo no Brasil mexe, inclusive, com quem é experiente e já conquistou esse título há 12 anos. Luiz Felipe Scolari vai além dos gestos para demonstrar ansiedade e revelar instabilidade emocional enquanto não chega a estreia do Brasil. Se pudesse, o técnico buscaria alívio encurtando a distância de dez dias até o jogo contra a Croácia. Está na hora de começar essa confusão, pelo amor de Deus, desabafou, bufando e fechando os olhos como sempre. Senão fica aquela espera para ver se vai dar certo ou errado, passam os dias... Está na hora de começar, vai ou racha e acabou. É o que vivo nesse momento. A entrevista coletiva ontem, véspera do amistoso contra o Panamá, foi uma prova da mudança de humor de Felipão. O técnico mostrou irritação ao lembrar o coletivo de domingo, na Granja Comary, sorriu ao ouvir a aguda voz de uma repórter japonesa que acompanha a Seleção e interagiu com os jornalistas ao mesmo tempo em que derrubou um copo na mesa, interrompeu sua fala achando que havia um problema com os cinegrafistas e esbravejou ao ser atrapalhado por um helicóptero que sobrevoava o Serra Dourada. O treinador também se confundiu ao tentar lembrar seu primeiro jogo como técnico na Seleção realizado no Brasil. Cansou de buscar a resposta e, mesmo pouco entendendo o que Flávio Murtosa lhe falava a uma curta distância, disse que acreditava na memória de seu auxiliar.