Fábio Koff vence eleição do "rachado" Clube dos 13
PAULO FAVERO
Da Agência Estado São Paulo
Fábio Koff foi reeleito presidente do Clube dos 13 numa eleição cheia de articulações nos bastidores, muita polêmica e um princípio de crise na entidade que reúne os principais clubes do Brasil. O dirigente ficará no cargo até 2013, completará 17 anos na presidência e tem como principal objetivo criar uma liga. Ao bater Kléber Leite por 12 a 8, ele também aplicou uma derrota ao homem mais poderoso do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira, presidente da CBF e apoiador não declarado da oposição. "Alguns dias atrás eu até não acreditava que o Dr. Ricardo estava envolvido nisso. Fui acreditar quando os presidentes das federações entraram em campo, com ameaças e pressão. Eu entendi que estava em jogo a existência do C13 e me empenhei nessa eleição", disse Koff. Ficou evidente também a divisão na entidade, não só pela margem pequena para a chapa vitoriosa como pelas declarações dos dirigentes após o pleito. "O C13 está rachado. Com dois votos dava empate. Mas acho que isso serve para alertar que muita coisa deve ser mudada. Infelizmente, nós perdemos", disse Zezé Perrella, do Cruzeiro. A flamenguista Patrícia Amorim, eleita 2ª vice-presidente, espera que com o tempo as coisas se acalmem. "Eu tenho a preocupação de que possa haver um racha, mas a forma como tudo aconteceu me incomodou muito. Acho ruim, não deveria ter chegado a esse estágio", afirmou. Ela se referia às pressões que muitos cartolas sofreram para mudar de lado na eleição. O próprio Fábio Koff reconheceu isso. "As pressões da Federação Paulista de Futebol foram públicas. Quem detém o poder não pode tentar interferir no processo", explicou, garantindo que não se sente à vontade com sua longa gestão. "Eu não sou a favor do continuísmo. Isso ocorre porque a disponibilidade de nomes para o cargo é restrita. E era preciso força para enfrentar o poder que vinha do lado de lá." NOVO BRASILEIRÃO - Uma das prioridades da gestão é criar uma liga. Fábio Koff vai se reunir com os clubes das Séries A e B que não são filiados à entidade para explicar o projeto e garantir que o Clube dos 13 chegue a 40 associados. "Também quero revisar o contrato com a televisão. Não é possível que um clube na Série B receba somente R$ 50 mil por jogo. A proposta é fazer crescer os pequenos, mas sem diminuir os grandes." Andrés Sanchez, presidente do Corinthians, votou em Kléber Leite. E disse que agora vai ficar em cima de Koff. "É importante ter uma oposição forte. E espero que tudo que ele falou se cumpra. Eu vou cobrar."