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ESPORTES
Quarta-feira, 11 de Junho de 2014, 21h:56

DESÂNIMO

Estrangeiros reclamam dos paulistanos

LÍGIA MESQUITA
Da Folhapress – São Paulo
Sentadas em uma mesa do bar Migalhas, na rua Avanhandava, na Bela Vista, duas irmãs metade italianas metade sul-africanas tomavam caipirinhas e degustavam uma porção de frango a passarinho. "Isso não é pombo, não, né?", perguntou a mais nova, Vivian Casaletti, 41, para a repórter. Como não havia um cardápio em inglês, elas aceitaram a sugestão do garçom que tentou se comunicar no idioma, mas não entenderam o que estavam comendo. A dificuldade de comunicação na maior cidade do país e sede da abertura do Mundial - onde até recepcionistas de hotéis não falam uma segunda língua-, relatada à reportagem por vários estrangeiros que desembarcaram no país nos dois últimos dias, não tirou o apetite nem o bom humor das turistas. "Os brasileiros são amáveis, tentam ajudar como podem", disse Emy Casaletti, 51, agente de marketing esportivo, assim como a irmã. A grande decepção das sul-africanas, de croatas, ingleses, escoceses, australianos, colombianos e hondurenhos, entre outros ouvidos pela reportagem, é o clima "triste" da cidade às vésperas da Copa. "Nem parece que vocês estão sediando a Copa. Em Johannesburgo, nos dias que antecederam o Mundial [em 2010], os moradores falavam com orgulho do país, cantavam, festejavam. Aqui não acontece nada", disse Vivian. "Eu sei que tem gente contra o evento, mas vocês precisam ver as coisas boas que a Copa vai trazer ao país." O baixo-astral do paulistano com o Mundial também decepcionou o empresário inglês Gary, 50, que não quis revelar o sobrenome. "O meu sonho era estar nessa Copa do Brasil, mas imaginava outro clima aqui. A gente até vê bandeiras brasileiras, mas as pessoas estão muito desanimadas", afirmou, enquanto bebia uma cerveja com dois amigos no Paribar, no centro. "Parem de pensar no que vocês não fizeram e pensem no que vocês estão fazendo." UM MILHÃO DE AMIGOS A animação pré-Copa que faltava aos paulistanos na noite desta terça-feira (10), sobrava aos croatas e mexicanos no Bar Brahma, na São João. Com camisas de suas seleções e bandeiras, os torcedores cantavam e puxavam papo com os outros clientes, misturando espanhol e inglês. Os croatas exaltavam a simpatia brasileira, "as mulheres bonitas" e a comida "deliciosa". "Foi fácil andar de metrô, está bem sinalizado. Os preços também estão bons pra gente", disse o engenheiro elétrico Dario Ivic, 28. "Minha única queixa é que ninguém fala inglês." Se para os europeus os preços na capital paulista não estão exorbitantes, para os latino-americanos as contas estão salgadas. "Estamos comprando comida no supermercado e levando para o hostel. Está tudo uns 40% mais caro do que na Colômbia", diz a publicitária Jackelyn Madrigal, 31, de Medelín, que só não economizou na caipirinha com os amigos em um bar da praça Roosevelt. Nos arredores do Itaquerão, outros 20 colombianos tiravam fotos do estádio, animados com a Copa. O engenheiro Jaime Girón, 40, ressaltava a hospitalidade paulistana. "A cidade é divina, organizada. E as pessoas são muito atenciosas."

Edição EDIÇÃO 16962




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