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Sábado, 12 de Junho de 2010, 17h:34

Dunga só muda esquema e jogadores se for preciso

SÍLVIO BARSETTI
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Talvez coerência e versatilidade sejam incompatíveis, num primeiro momento, na seleção brasileira do técnico Dunga. Ele tem 11 titulares faz tempo, trabalha com esses mesmos atletas e todo mundo que acompanha futebol no Brasil já sabe qual o time da estreia no Mundial contra a Coreia do Norte, na próxima terça-feira. A tendência é que Dunga não mude seus conceitos até a eventualidade de ter de lidar com um resultado adverso. Assim, a princípio, lateral vai atuar na lateral, zagueiro na zaga e atacante no ataque. A exceção, já testada e aprovada, é Daniel Alves. Reserva de Maicon na lateral direita, ele é um forte candidato a fazer dupla com Kaká no meio de campo ao longo da competição. Esse atributo do jogador do Barcelona é apenas um exemplo dos trunfos de que dispõe Dunga. No elenco em Johannesburgo, ele tem mais de uma dezena de atletas em condições de atuar em mais de uma posição, o que lhe dá alguma tranquilidade e um pouco de segurança na luta pelo sexto título mundial do Brasil. Daniel Alves pode jogar também de lateral-esquerdo. No grupo dos 23 de Dunga, outro jogador se iguala ao titular do Barcelona. Trata-se de Júlio Baptista, ex-atacante do Sevilla, atual meia na seleção e pronto para entrar até como volante no time, se houver necessidade. Versatilidade foi um dos critérios do treinador para relacionar os nomes da Copa. Não que isso tenha sido uma exigência. Lúcio, o capitão, é zagueiro, tão somente zagueiro, assim como Juan. Já o reserva Thiago Silva, revelado pelo Fluminense, já fez o papel de volante no início da carreira e está na lista dos que podem ser improvisados na equipe durante o Mundial. Na lateral esquerda, Dunga levou para a África do Sul dois atletas que são meias em seus clubes. Michel Bastos é atualmente o camisa 10 do Lyon e, embora canhoto, frequenta o lado direito do ataque quando se apresenta pelo clube francês. Gilberto é meia-esquerda no Cruzeiro. Os dois, portanto, estão aptos a oferecer novas opções a Dunga. É exatamente no meio de campo que o número de versáteis é mais alto. Escalar Kaká como volante seria uma aberração. Mas seu companheiro de meia-atacante Elano já jogou várias vezes mais recuado, protegendo a zaga. Gilberto Silva não tem cacoete de meia e Felipe Melo ensaia arrancadas ao ataque, mas vai ter de se conformar como volante que é. Entre os reservas para o setor, Josué tem o perfil de Gilberto Silva e Kleberson e Ramires são duas cartas na manga que podem ser utilizados pelo treinador para concentrar mais gente no meio e "segurar" um resultado ou para buscar jogadas de gol com os atacantes. Apesar das variações possíveis pelas características dos convocados, Dunga não ousa fazer mais testes nos treinos. Diz saber o caminho escolhido. "Ter um jogador com essas facilidades é uma vantagem, mas isso não significa que ele sai na frente de outro na disputa por uma vaga".

Edição EDIÇÃO 16962




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