ESPORTES
Quinta-feira, 27 de Maio de 2010, 21h:42
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Dunga quer usar treinos para afinar a seleção
ROBSON MORELLI
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Os próximos dias e os dois amistosos já marcados pela CBF - confirmados oficialmente pela entidade ontem - antes da Copa do Mundo - no dia 2 contra Zimbábue e no dia 7 diante da Tanzânia - servirão para que a seleção brasileira recupere o entrosamento perdido desde a última apresentação, em março, contra a Irlanda (2 a 0). Dunga começa em Johannesburgo, a partir de hoje, o seu trabalho de polimento no time. Pensará em jogadas ensaiadas de ataque e posicionamento de defesa quando a equipe estiver sendo golpeada. O treinador dá a mínima para o fato de dizerem que o seu Brasil ganha os jogos nos contra-ataques, uma característica que nunca permeou a seleção brasileira, historicamente reconhecida por seu toque de bola refinado e sua ginga diante dos marcadores de cintura dura da Europa. Dunga prega a objetividade. Isso é claro. Se pudesse defender um estilo de jogo, ele não seria muito diferente do que o Brasil vem praticando há três anos e oito meses, desde que assumiu o posto. Para ele é como mudar o que está dando certo. Afinal, sob seu comando a seleção faturou a Copa América e a Copa das Confederações e se classificou com um pé nas costas nas Eliminatórias Sul-Americanas. Seu ataque fez 110 gols e sua defesa sofreu apenas 37. Geralmente os números são usados pelos treinadores somente quando são favoráveis ou para justificar determinadas situações de jogo. No caso da seleção brasileira, para mostrar ao torcedor que atuar nos contra-ataque também pode fazer uma equipe campeã. Seria injusto com Dunga afirmar que seus jogadores não podem se valer do talento brasileiro, leia-se ginga, para furar qualquer barreira que se levante à frente do Brasil na África do Sul. Luís Fabiano, Kaká, Elano, Maicon, Michel Bastos e principalmente Robinho estão liberados para tirar os rivais para dançar, desde que este seja o caminho mais curto para o gol. Da mesma forma, não está proibido atacar em velocidade para surpreender defesas desmontadas de times ansiosos para buscar o resultado. O Brasil, Dunga já avisou e deu mostras, não será assim. Nem na primeira fase nem na final, se chegar até lá. Nem diante de adversários inexpressivos, como a Coreia do Norte, nem diante de potências como Itália, a atual campeã, Argentina e Espanha. "Jogamos nos contra-ataques, mas fazemos gols e sofremos bem pouco", defendeu o treinador. "Mas não é tão simples assim. Temos de arriscar jogadas ensaiadas. E eu sei que o nosso diferencial é o talento. Mas é preciso encontrar um equilíbrio. Todo mundo pensa que equipes que só atacam são as mais bem montadas. Não é assim".