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Terça-feira, 11 de Maio de 2010, 20h:43

Dunga descarta Neymar e Ganso

Numa entrevista coletiva concorrida, com quase 500 jornalistas credenciados, Dunga explicou ontem as escolhas que fez para formar a seleção brasileira que disputará a Copa do Mundo na África do Sul. Enalteceu o comprometimento dos 23 jogadores chamados, elogiou Grafite por ter aproveitado sua única chance, lamentou os problemas extracampo que atrapalharam Adriano e avisou que Neymar e Paulo Henrique Ganso são apostas para o futuro. "Só para refrescar um pouquinho a memória de vocês. Eles têm um futebol maravilhoso, jogam muito. Mas o Neymar esteve no Mundial Sub-17 e voltou para casa na primeira fase. O Ganso foi para o Mundial Sub-20 e acabou na reserva", lembrou Dunga, citando duas competições que ocorreram no ano passado, para justificar a ausência dos jovens astros do Santos no grupo da Copa do Mundo. "Eles começaram a amadurecer em fevereiro, março. A tendência é que não tivessem experiência para suportar uma pressão de Copa do Mundo. São jogadores de muito potencial. Têm um futebol maravilhoso, jogam muito", explicou Dunga. Para justificar a ausência de Adriano, Dunga disse que tomou a decisão sem ouvir o coração. "Foi pela razão, em nome da coerência e do comprometimento. Demos inúmeras chances ao Adriano, mas chegou um momento em que precisei tomar decisão pensando na seleção", contou o técnico. A vaga que seria de Adriano foi para Grafite, que jogou apenas uma vez sob o comando de Dunga, justamente no último amistoso da seleção, contra a Irlanda, em março, na Inglaterra, quando entrou no segundo tempo. "Há jogadores que atuam cinco minutos e aproveitam. Não digo que o jogador tenha que chegar à seleção e arrebentar, mas tem que assumir postura de campeão com a camisa amarela. Ele supre as características do Adriano e quando esteve conosco aproveitou a oportunidade", elogiou o técnico. Dunga também fez uma espécie de balanço sobre seu trabalho de três anos e meio no comando da seleção até chegar à convocação desta terça-feira. "Fui chamado pelo presidente da CBF (Ricardo Teixeira) para renovar a seleção, por uma série de fatores - a campanha do Mundial de 2006, o fim de um ciclo de atletas campeões. Ele me deu autonomia. E a partir dali se reforçou a ideia de que para vestir a camisa da seleção era preciso comprometimento, atitude, paixão. Que cada atleta teria de estar disposto a se doar pela seleção. Conseguimos isso desde a nossa estreia, em agosto de 2006, contra a Noruega", lembrou. Ainda disse estar preparado para as críticas que receberá pelos jogadores escolhidos. "Se tivesse de seguir as sugestões de vocês (jornalistas), teria de mandar várias listas à Fifa. A cada mês vocês mudavam de opinião", afirmou o treinador, que aproveitou para fazer um apelo. "Cada um na seleção tem que ser um patriota. Peço aos torcedores, mesmo os que não gostem de mim, que torçam por essa seleção com patriotismo."

Edição EDIÇÃO 16962




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