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ESPORTES
Sábado, 26 de Junho de 2010, 18h:28

Duelo para até cúpula de líderes do G-20 no Canadá

JAMIL CHADE
Da Agência Estado - Bloemfontein, África do Sul
O segundo dia de mata-mata da Copa do Mundo da África do Sul começa com o jogo que já está sendo chamado de "Batalha de Bloemfontein". Alemanha e Inglaterra, rivais dentro e fora de campo, disputam no estádio Free State, em Bloemfontein, uma vaga entre os oito melhores times do mundo. O clássico deve interromper até as duras negociações sobre a crise mundial que estão ocorrendo na cúpula dos líderes do G-20, em Toronto (Canadá). Depois de uma campanha fraca na primeira fase (uma vitória e dois gols marcados), os ingleses esperam pela recuperação exatamente contra os rivais. Já a renovada Alemanha, que terminou o Grupo D como 1ª colocada, recebeu de "presente" o duelo contra os ingleses. "É uma pena que estes dois adversários estejam jogando nas oitavas de final. Isso é um jogo de semifinal, no mínimo", lamentou o ex-jogador Franz Beckenbauer. "Esse será o jogo do glamour desta Copa", afirmou o capitão inglês John Terry. Como se não bastasse a rivalidade, a tensão do encontro é elevada quando os ingleses lembram das críticas feitas por Beckenbauer antes da Copa. O Kaiser afirmou que a Inglaterra regrediu com o técnico italiano Fabio Capello. Agora, o treinador e seus comandados não escondem o desejo de fazer o alemão engolir o que disse. Disputa que, entre os times, não é novidade. A principal delas tem 44 anos, quando os ingleses, anfitriões da Copa de 1966, venceram os alemães na final com um gol polêmico. Dali em diante, os germânicos foram dominantes, a ponto de o ex-atacante Garry Lineker cunhar uma das frases mais conhecidas do esporte: "O futebol é um jogo simples entre dois times, com 22 jogadores correndo atrás da bola, em que a Alemanha vence no final". A série de derrotas começou na Copa de 1970, quando o time de Beckenbauer despachou a Inglaterra nas quartas, resultado que se repetiu na Eurocopa de dois anos depois. Em 1990, foi a vez da geração de Lothar Matthäus acabar com o sonho britânico, na semi Em 1996, um terço da população inglesa parou para ver sua seleção ser novamente eliminada na Euro. Um martírio que só acabou em 2000, na primeira fase da competição continental, quando os ingleses venceram por 1 a 0. O jogo de hoje é considerado como o mais importante entre as duas seleções na última década. Um choque que mexeu até com os nervos políticos, numa prova de que a rivalidade está mesmo além dos campos. Afinal, os países estiveram em lados distintos nas duas Guerras Mundiais. Na Inglaterra, os torcedores fazem questão de entoar o grito mais polêmico da Europa - "Duas Guerras Mundiais, uma Copa do Mundo" -, referente às vitórias impostas aos rivais, na grama e na guerra. Na Alemanha, o alto escalão do governo dá seus pitacos. "Os ingleses são superestimados. Esse jogo será mais fácil que a partida contra Gana", atacou o ministro do Interior Thomas de Maiziere. Em Toronto, no outro lado do Atlântico, os líderes de Alemanha e Inglaterra prometem suspender parte de seus trabalhos na reunião do G-20 para acompanhar a partida. O primeiro-ministro britânico David Cameron e a chanceler alemã Angela Merkel tentarão assistir ao menos o segundo tempo. Cameron disse também que vai convocar o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, para apoiar os ingleses. "O nosso técnico é italiano", afirmou, em referência a Fabio Capello, além de a Itália já ter sido eliminada. "Mas espero que o jogo não vá para os pênaltis. Não sei se os corações coletivos das nações podem aguentar isso", disse, em relação à tentativa de cooperação entre os países para resolver problemas econômicos. SEGURANÇA - O clássico da Copa se tornou uma dor de cabeça para os organizadores, que enviaram para Bloemfontein tropas de elite da polícia, enquanto os torcedores desembarcam em massa na cidade. No último enfrentamento entre as duas seleções, que ocorreu na Eurocopa de 2000, 500 pessoas foram presas e as ruas de Charleroi, na Bélgica, transformaram-se em uma zona de guerra

Edição EDIÇÃO 16966




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