ESPORTES
Sexta-feira, 01 de Junho de 2007, 18h:59
A
A
AMISTOSO
Diego marca e cala o novo Wembley
O meia brasileiro entrou no segundo tempo e, de cabeça, aos 46 minutos, fez o gol de empate para a seleção brasileira
LUIZ ANTÔNIO PRÓSPERI
Da Agência Estado Londres, Inglaterra
Diego roubou a festa dos ingleses na quente noite de ontem em Londres. Fez o gol do Brasil que definiu o empate por 1 a 1 contra a Inglaterra, no último minuto do amistoso de inauguração oficial de Wembley. Deu dó ver a multidão de boca aberta sem acreditar que a vitória, tão esperada desde 1990, havia escapado por um descuido. Quando a bola entrou na rede de Robinson, o imponente Wembley murchou. Não foi o fim que eles haviam imaginado: no dia em que o templo do futebol reabria oficialmente suas portas, os ingleses esperavam uma noite de gala. E olha que tudo conspirou a favor deles. Sem talento, mas eficazes. Sem brilho, mas insistentes, eles conseguiram um gol no segundo tempo dos sonhos. Beckham, o rei pop do futebol britânico, bateu a falta lá da direita e Terry, de cabeça, converteu. Gol com a marca registrada do futebol inglês, gol para lavar a alma e quebrar uma invencibilidade que perdurava desde 1990 quando venceram o Brasil pela última vez. Mas não deu A história do jogo teve um fim bem diferente. No primeiro tempo, por exemplo, a seleção brasileira provocou mais silêncios do que euforia na torcida em Wembley. Silêncio porque os ingleses sofreram nas tribunas e no campo. A festa que fizeram antes do início do jogo foi trocada por certo pavor de ver o time derrotado. Toda a esperança de surrar os pentacampeões se apagou como uma vela. Menos porque o Brasil impunha um futebol digno de sua tradição, mais pelo talento de Ronaldinho Gaúcho e Kaká, assessorados por Robinho. Os três chegavam fácil à zona de gol, criavam boas situações, mas erravam nas finalizações. Ronaldinho teve pelo menos duas faltas, de onde gosta de bater, mas chutou para fora. E Kaká arriscou umas três vezes de longe, mas também faltou pontaria. Lá atrás, a defesa se virava bem. O estreante Naldo parecia tranqüilo. O único problema estava no setor direito. Daniel Alves e Mineiro não tinham sintonia, marcavam mal e saíam para o ataque sem confiança. A Inglaterra, de repertório pobre, vivia de esticar a bola da intermediária do seu campo para o território do Brasil, sempre à procura de Owen. Quando a jogada dava certo, acabava em falta. E aí a torcida delirava porque Beckham se encarregava de resolver as coisas lançando a bola na área, única jogada de perigo dos ingleses. Como nenhuma delas teve final feliz, a Inglaterra pouco incomodou. No segundo tempo, os papéis foram invertidos. Os ingleses criaram coragem, partiram para cima e devolveram a euforia aos milhares de torcedores nas tribunas. Os cânticos voltaram a tomar conta do estádio. A intrépida e minúscula torcida brasileira diminuiu o ritmo do samba e percebeu que o pior estava por vir. E aos 24 minutos, Beckham, enfim, acertou na medida a cobrança de falta no setor direito. A bola viajou até do outro lado da área brasileira e caiu exatamente na cabeça de Terry. Naldo, de 1,98 metro de altura, o mais alto jogador da história da seleção brasileira, não alcançou a bola. Terry espetou de cabeça e guardou na rede de Hélton, Inglaterra 1 a 0. Terry, o zagueiro, fez o gol histórico, o primeiro do novo Wembley. O estádio se inflou. Derrota à vista, Dunga começou a trocar as peças. Tirou Kaká e colocou o desconhecido Afonso. Antes havia reforçado a marcação do setor direito com Edmílson e Maicon nos lugares de Daniel Alves e Mineiro. Afonso perdeu dois gols. Dunga não parou no tempo. Trocou Robinho por Diego. A seleção tentou empurrar os ingleses para trás, mas os torcedores não estavam nem aí. Celebravam a vitória como nunca. De repente, quando a festa parecia líquida e certa, Gilberto Silva, do Arsenal, o mais inglês dos brasileiros, levantou a bola na área de Robinson. O pequeno Diego apareceu do nada entre os grandalhões europeus, se abaixou e, de cabeça, fez o gol de empate. Um silêncio quase total tomou conta de Wembley. Lá longe num cantinho do estádio, se ouviu um canto "sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". Era a torcida brasileira festejando o empate. Em poucos minutos, o colosso se esvaziou. Apenas aquela gente de verde e amarelo continuou cantando. INGLATERRA 1 Robinson; Carragher, King, Terry (Brown) e Shorey; Joe Cole (Downing), Beckham (Jenas), Gerrard e Lampard (Carrick); Smith (Dyer) e Owen (Crouch). Técnico: Steve McClaren BRASIL 1 Helton; Daniel Alves (Maicon), Naldo, Juan e Gilberto; Gilberto Silva, Mineiro (Edmílson), Kaká (Afonso) e Ronaldinho Gaúcho; Robinho (Diego) e Vágner Love. Técnico: Dunga. Gols - Terry, aos 23, e Diego, aos 47 minutos do segundo tempo. Árbitro - Markus Merk (Alemanha). Renda e público - Não disponíveis. Local - Estádio Wembley, em Londres (Inglaterra).