ESPORTES
Sexta-feira, 11 de Junho de 2010, 22h:33
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Comissão técnica segue regras rígidas de Dunga
SÍLVIO BARSETTI
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
O rigor do técnico Dunga, sempre atento às declarações públicas dos 23 jogadores que ele comanda na África do Sul, atinge também toda a comissão técnica da seleção. O cuidado excessivo e centralizador provoca constrangimentos na delegação. Médicos, fisioterapeutas, massagistas, roupeiros, ou seja, os profissionais que compõem o grupo fora de campo evitam claramente um contato mais próximo com a imprensa. É como se estivessem proibidos de passar alguma informação acerca da seleção. Nos treinos, o staff da comissão técnica fica sempre do lado oposto ao dos jornalistas. O supervisor Américo Faria incentiva a medida e controla até mesmo os passos dos seguranças contratados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que ficam atrás dos gols e trabalham como gandulas nas atividades diárias. Autorizados a falar oficialmente sobre a seleção fora dos horários de entrevistas só mesmo o diretor de comunicação da entidade, Rodrigo Paiva, e o chefe da delegação, Andrés Sanchez Dias atrás, Luís Fabiano elogiou o fisioterapeuta Luís Alberto Rosan, a quem qualificou de o melhor do mundo na área esportiva. Foi um modo de agradecer o empenho dele na recuperação de uma lesão muscular que chegou a ameaçar o atacante de ficar fora do Mundial. A lógica em casos assim seria ouvir Rosan em um ou dois dias para que detalhasse as etapas do trabalho feito com o atleta. Mas o fisioterapeuta preferiu se manter em silêncio. Não quis se "expor" para não dar margem a alguma rusga com o técnico O auxiliar de Dunga, Jorginho, vem várias vezes buscar a bola próximo do setor de imprensa e nem sequer olha para o lado, quando a seleção treina na Randburg High School. Em Johannesburgo, todos eles ficam quase o tempo todo no hotel reservado exclusivamente para a seleção. Nos dias de folga, é possível ver um ou outro da comissão técnica circulando pelo maior shopping da cidade, o Nelson Mandela Square. Em encontros casuais ali, o máximo que dizem é "um bom dia" ou "boa tarde". Na folga da última terça-feira, Robinho deu uma entrevista para a TV Globo. Com as exclusivas estão proibidas pelo treinador, o atacante foi obrigado a pedir desculpas na frente de todo o grupo. Até mesmo na Tanzânia, onde a seleção jogou na última segunda, esse controle era rígido. A reportagem da Agência Estado cruzou numa das ruas de Dar es Salaam com o médico José Luiz Runco, Rosan e Andrés Sanchez. Numa conversa amistosa, de dois minutos no máximo, o assunto foi o caminho mais próximo para se chegar a pé até Cocobeach, uma das praias mais conhecidas daquele local. Após uma troca de abraços e apertos de mãos, bastou uma pergunta sobre a situação clínica do goleiro Julio Cesar, para o clima azedar. "Eu não disse. São todos f.d.p., são todos iguais", bradou Sanchez.