Cobradores de falta são uma raridade na seleção de Dunga
Depois de anos e anos bem servida de cobradores de falta, a seleção irá à Copa América sem ter um especialista temido nesse fundamento, daqueles que levam o adversário a colocar as mãos na cabeça quando comete uma falta perto da área e o torcedor brasileiro a dizer: "Daí para ele é pênalti". No time titular montado por Dunga no início da preparação, a opção para cobranças de longa distância é o zagueiro Alex, que bate forte de longa distância, mas está longe de ser um Roberto Carlos nesse quesito. Para as faltas mais próximas da área, o homem é Diego, que até faz um golzinho de falta de vez em quanto mas precisa comer muito arroz com feijão para ter a eficiência de um Ronaldinho Gaúcho ou um Juninho Pernambucano - isso para não recuar no tempo e lembrar de feras que faziam das cobranças de falta uma arma, como Branco, Zico, Nelinho, Rivellino, Didi. Entre os reservas de Dunga as opções também não são muito animadoras. O melhor é o lateral santista Kléber. Daniel Alves, Naldo e Anderson também se arriscam a cobrar em seus clubes, mas sem um índice de aproveitamento capaz de empolgar o torcedor. Júlio Baptista batia quando estava no Sevilla, mas no Real Madrid de Beckham, Zidane e Roberto Carlos não tinha vez. E no Arsenal foi reserva durante a maior parte da temporada. Afonso fez alguns gols de falta pelo Heerenveen na temporada passada, mas dificilmente cobrará na seleção, até porque é a última opção no ataque. Além de não ter um senhor batedor de faltas, a seleção ainda não começou a treinar os lances de bola parada. Os trabalhos técnicos e táticos têm privilegiado a marcação e a movimentação, e os cruzamentos são feitos com a bola rolando. A comissão técnica começará a dar atenção às cobranças de falta e escanteio quando o time chegar à Venezuela. Até a estréia - dia 27, contra o México, em Puerto Ordaz - os jogadores terão menos de uma semana para calibrar a pontaria.