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ESPORTES
Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008, 19h:38

NATAÇÃO

Cielo muda estratégia e ganha o bronze

O nadador brasileiro resolveu dormir até quase na hora de competir e disse que foi mais relaxado para conquistar a medalha de bronze

VALÉRIA ZUKERAN
Da Agência Estado – Pequim, China
A Olimpíada de Pequim está sendo um exemplo de como detalhes são capazes de transformar a situação de um atleta. Na natação, até uma unha mais comprida pode fazer diferença entre o sucesso e o fracasso. E, para a sorte do Brasil, algumas mudanças estratégicas fizeram toda a diferença no desempenho do nadador César Cielo na hora de disputar a final dos 100 metros livre e conquistar uma medalha de bronze. Nas primeiras séries no Cubo D”Água, o nadador foi obrigado a usar de todas as suas forças para garantir classificação para a fase seguinte. "Quase vi Jesus", disse ofegante, com o corpo dobrado e as mãos sobre os joelhos, após a primeira vez que entrou na água, nas eliminatórias do revezamento 4x100 metros livre. O time foi desclassificado por queimar a última passagem, mas ele ainda saiu com o recorde sul-americano - havia feito a primeira passagem, com 47s91. Depois, na eliminatória dos 100 metros livre, uma pedreira. Na série estavam nada menos do que o recordista mundial do estilo, o australiano Eamon Sullivan, o campeão olímpico em Atenas/2004, o holandês Pieter van den Hoogenband, e o sueco Stefan Nystrand, outro candidato ao título. Cielo terminou em quarto, saindo da prova tão exausto quanto da vez anterior. "Não nadei bem. Acho que dá para fazer bem mais do que isso." Nas semifinais, um reencontro com Nystrand e o primeiro confronto como o Alain Bernard. Cielo passou para a final ao ficar em quinto na série, que teve o francês fazendo recorde mundial - batido na seqüência pelo australiano Sullivan. Novamente, o nadador saiu da piscina "quase vendo Jesus", e embora temesse a eliminação, conseguiu a oitava e última vaga na final. Podia parecer pouco, mas o brasileiro deixou para trás nada menos do que os dois últimos campeões mundiais ­ o italiano Filipo Magnini e o americano Brent Hayden. "Nas provas anteriores eu estava seguindo os métodos americanos de preparação para as competições, nos quais o atleta acorda lá pelas 5 da manhã, entra na piscina para nadar, sai para tomar café e só depois vai competir, ou seja, fica acordado mais tempo", conta Cielo. "Além disso, estava com uma estratégia de entrar forte nos primeiros 50 metros." Em oitavo, nadando na última raia, Cielo e o técnico Bret Hawke decidiram arriscar para chegar a algum lugar. "Ao invés de acordar cedo, resolvi levantar quase na hora da prova, e também combinamos de eu me segurar mais no início para dar tudo na parte final." O fato de nadar na última raia foi explorado. "Se estivesse mais no meio da piscina ficaria no meio da marola (pequenas ondas que se formam com as braçadas). Como estava na ponta, só me preocupei com a minha prova." O resultado foi uma das melhores performances da carreira de Cielo até agora. "Não diria que foi perfeita porque não foi recorde mundial", disse o nadador sobre sua façanha de bronze na manhã de Pequim. Com 47s67, anotou novo recorde sul-americano e dividiu o terceiro lugar com o norte-americano Jason Lezak. Para horas mais tarde, nas eliminatórias dos 50 metros, prometeu "um tempão". Já era manhã no Brasil quando cumpriu a promessa: marcou 21s47 e bateu o recorde olímpico da prova, que pertencia a Alexander Popov (21s91), batido em Barcelona/1992. A marca não durou nem dois minutos: na bateria seguinte o francês Amaury Leveaux marcou 21s46, deixando o brasileiro com o segundo melhor tempo para as semifinais, que foram disputadas às 22 horas (de Mato Grosso) desta quinta, manhã de sexta na China.

Edição EDIÇÃO 16961




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