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Quinta-feira, 19 de Junho de 2008, 21h:56

Chororô da seleção brasileira é recriminado por veteranos

Bruno Lousada, Fábio Hecico e Giuliander Carpes
Da Agência Estado – São Paulo
Craques do passado condenaram a reação da seleção brasileira após o empate sem gols com a Argentina, na quarta-feira, no Mineirão, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2010. Os jogadores reclamaram da forte pressão sobre eles e do comportamento da torcida, que vaiou a equipe e pediu a demissão do técnico Dunga. A pressão sobre a equipe do Brasil é encarado como algo normal quando as vitórias não aparecem. Palavra de quem já vestiu a camisa amarela em outros momentos difíceis. "Acho que esses jogadores já estão dentro do futebol há muito tempo", afirmou o ex-craque Roberto Dinamite, que esteve nas campanhas sem título das Copas de 1978 e 1982. "Quando se ganha, tudo é festa. Quando se perde, tem que se saber levar". Mesmo jogadores que estiveram em fases mais vencedoras da amarelinha, como Ronaldão, campeão mundial em 1994, já passou por momentos tensos na equipe. "Na seleção, a cobrança é grande sempre. Em qualquer época", contou. "Acho que os atletas e a comissão técnica não podem esperar nada de diferente nesse momento". "A torcida pagou caro, o time atuou mal e os jogadores não querem ser vaiados. Querem o quê? Que a torcida jogue flores neles? Eles não têm que reclamar de nada", declarou o treinador Carlos Alberto Silva, que dirigiu a seleção brasileira em 1987 e 1988. Na visão de Carlos Alberto Silva, a seleção pratica um futebol burocrático, sem o talento que tanto encantou o mundo. "A equipe só faz o que é mandada. Falta diálogo e até descontração. Vejo um grupo tenso em campo e cada um quer decidir por si". Sempre lembrado pelo fino trato com a bola, o ex-atacante de Flamengo e Barcelona Evaristo de Macedo criticou o técnico Dunga "Falta um pouco mais de sensibilidade na hora da escalação". Segundo Evaristo, que treinou a seleção em 1985, qualquer jogador que veste a camisa verde e amarela tem de estar acostumado a cobranças. O capitão do tricampeonato mundial em 1970, o ex-lateral-direito Carlos Alberto Torres, está desapontado com o rendimento do time comandado por Dunga. "A equipe não está legal. Tem atleta que pode render mais", ressaltou, sem citar nomes. Até Zagallo, defensor número 1 da seleção brasileira, disse que o time precisa melhorar, embora ache que a equipe demonstrou raça e vontade contra a Argentina. "O Brasil tem que superar todos os problemas e confiar no trabalho que está sendo feito", disse Zagallo, que já enfrentou forte pressão na comissão técnica da seleção antes e durante a Copa de 94.

Edição EDIÇÃO 16962




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