ESPORTES
Sexta-feira, 25 de Junho de 2010, 21h:03
A
A
VAGA ASSEGURADA
Chile perde e vai enfrentar o Brasil
A equipe chilena mostrou falhas, teve jogador expulso e acabou perdendo para Portugal. Agora enfrenta os brasileiros segunda-feira
RAFAEL BRAGANÇA
Da Agência Estado - São Paulo, AP
Sem o brilho que era esperado, a Espanha confirmou ontem a sua classificação às oitavas de final da Copa do Mundo. Atual campeã europeia, a seleção espanhola venceu o Chile por 2 a 1 e se credenciou para enfrentar Portugal na próxima fase. De quebra, ainda provocou a primeira derrota de um time sul-americano na África do Sul e colocou os chilenos no caminho do Brasil. A vitória apertada, conquistada no estádio Lottus Versfeld, em Pretória, deixou a Espanha com seis pontos, na liderança do Grupo H. Com a mesma pontuação, o Chile ficou em segundo por ter menor saldo de gols que os espanhóis (2 a 1). A Suíça, que precisava da vitória, não passou de um empate por 0 a 0 com Honduras e foi eliminada, somando quatro pontos. Na próxima terça, na Cidade do Cabo, às 14h30 (de Mato Grosso), a Espanha encara Portugal buscando a classificação às quartas, que não vem desde 2002. Na última Copa, os espanhóis caíram nas oitavas para a França. Já o Chile repete o desempenho de 1998. Por coincidência, o responsável pela eliminação chilena na ocasião foi justamente a seleção brasileira. Após o empate sem gols com Portugal, o time de Dunga voltará a campo na segunda, às 14h30, no estádio Ellis Park, em Johannesburgo, para enfrentar novamente o Chile em Copas. Em 1998, o Brasil goleou por 4 a 1. Agora, terá a sua vida facilitada pelo desfalque de três jogadores chilenos. Além da dupla de zaga Ponce e Medel, o volante Estrada foi expulso ontem e também está suspenso. A expulsão de Estrada ainda no primeiro tempo, inclusive, foi determinante para definir a vitória da Espanha, que teve a volta do meia Iniesta, autor do segundo gol. Também foi fundamental a falha do goleiro Bravo, que deu o primeiro gol de presente para os espanhóis. O Chile, nem com Valdivia como titular, conseguiu criar o suficiente para buscar o triunfo. O JOGO - Com a necessidade maior do resultado, a Espanha teve mais iniciativa nos primeiros minutos, mas não demorou para o Chile mostrar a sua vocação ofensiva. Aos poucos, o time chileno foi se soltando e armando boas jogadas no ataque. A entrada do ex-palmeirense Valdivia na equipe também ajudou a melhorar a qualidade do toque de bola no meio de campo. Logo aos nove minutos, Valdivia achou Beausejour na lateral da área e ele fez o cruzamento para González. O chileno passou da bola e o chute saiu errado, por cima do gol. O lance, porém, mostrou que o Chile poderia ser bem mais perigoso na frente, enquanto a Espanha ainda tinha muitas dificuldades para chegar na área adversária. Enquanto o jogo seguia com o mesmo panorama, com clara vantagem para o Chile, o goleiro Bravo pôs tudo a perder. Em um lance isolado da Espanha, aos 24 minutos, o arqueiro chileno foi até a lateral e deu um carrinho nos pés de Torres. A sobra ficou com David Villa, que, da intermediária, pegou de primeira e colocou os espanhóis em vantagem. Mesmo sem agredir o rival, a Espanha vencia por 1 a 0. O Chile, por sua vez, mantinha o domínio do jogo, mas sofria com a precipitação de seus marcadores. Até o gol espanhol, já eram três chilenos advertidos com o cartão amarelo, inclusive a dupla de zaga. Em mais uma bobeira da defesa sul-americana, o time de Marcelo Bielsa sofreu o segundo gol e ainda teve um jogador expulso. Aos 37 minutos, David Villa recebeu na esquerda da área com liberdade. Com calma, ele esperou a entrada pelo meio de Iniesta, que recebeu e bateu de primeira, no canto de Bravo. Sem grande esforço, a Espanha fazia 2 a 0. Pior para o Chile, que ainda perdeu um jogador pelo excesso de rigor do árbitro mexicano Marco Rodríguez. Na jogada do gol espanhol, o juiz viu uma falta fora do lance de Estrada em Torres. O toque que levou o atacante ao chão, porém, pareceu casual. Como já tinha o cartão amarelo, o volante Estrada recebeu o segundo e foi expulso. Os chilenos protestaram muito, mas de nada adiantou. Na volta dos vestiários, Bielsa decidiu mexer na equipe. De uma vez, substituiu os seus dois meias, sem se importar com a zaga pendurada pelos amarelos. Paredes entrou no lugar de Valdivia e González deixou o campo para a entrada de Millar. E o técnico argentino mostrou ter estrela, com o gol de Millar no primeiro lance do segundo tempo. Com dois minutos, Millar foi arriscar o chute de fora da área e contou com um desvio de Piqué, tirando as chances de defesa de Casillas, que só viu a bola entrar no canto oposto. O gol logo no início colocou o Chile de volta no jogo, mas a seleção sul-americana não soube aproveitar, sendo dominada pelos europeus. Ainda na primeira metade da etapa complementar, Vicente del Bosque também mexeu na Espanha. Fabregas substituiu o apagado Torres no ataque. Bielsa, por sua vez, queimou a sua última modificação para tentar melhorar o poderio ofensivo, trocando Sánchez por Orellana. Mas nada parecia capaz de mudar o panorama da partida. Apesar de aberto, o jogo seguiu com a Espanha displicente no ataque e o Chile sem iniciativa para buscar a igualdade, talvez porque soubesse do empate sem gols entre Suíça e Honduras, que a colocava na próxima fase. E assim foi até o apito final, sem mais grandes emoções para ambos os lados. CHILE 1 Bravo; Isla, Medel, Ponce e Jara; Estrada, Vidal, González (Millar) e Valdivia (Paredes); Alexis Sánchez (Orellana) e Beausejour. Técnico: Marcelo Bielsa. ESPANHA 2 Casillas; Sergio Ramos, Puyol, Piqué e Capdevila; Busquets, Xabi Alonso (Martínez), Xavi e Iniesta; David Villa e Torres (Fabregas). Técnico: Vicente del Bosque. Gols - David Villa, aos 24, e Iniesta, aos 37 minutos do primeiro tempo; Millar, aos 2 minutos do segundo tempo. Cartões amarelos - Ponce e Medel (Chile). Cartão vermelho - Estrada (Chile). Árbitro - Marco Rodríguez (México). Público - 41.958 espectadores. Local - Estádio Lottus Versfeld, em Pretória (África do Sul).