ESPORTES
Sexta-feira, 23 de Julho de 2010, 20h:15
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PLANO B
CBF confirma convite a Mano Menezes
Com a recusa de Muricy Ramalho, que não foi liberado pelo Fluminense, Mano foi chamado para ser o novo técnico da seleção
Com Muricy Ramalho fora do baralho para assumir como novo técnico da seleção brasileira, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) confirmou na noite de ontem, em nota no seu site oficial, o convite feito a Mano Menezes. O técnico do Corinthians deve anunciar a decisão após o treino de hoje, marcado para começar às 8h30 (Mato Grosso). O comunicado da CBF veio horas depois da negativa de Muricy. Mesmo depois de apalavrado com o presidente Ricardo Teixeira, o técnico foi impedido de assumir pelo Fluminense, que fez valer a força do contrato com o clube. O contrato dele com o clube vai até o final do ano. Teixeira explicou que ainda trabalhava com outros dois nomes no plano de renovar a seleção brasileira após a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo. O presidente lembrou ainda que o novo técnico deve começar essa renovação já para o amistoso de 10 de agosto, contra os Estados Unidos, em Nova York. "Conversei com muitas pessoas, assisti a debates em vários programas esportivos e ouvi também torcedores para chegar a três nomes. O que determinou a escolha foi o entendimento de que é necessária uma imediata renovação na Seleção Brasileira", disse. A dúvida agora é se Mano irá aceitar o convite, já que inicialmente foi preterido. Em conversa por telefone, Teixeira garantiu apoio irrestrito para exercer sua tarefa. "O mais importante na escolha é o senso comum da importância da filosofia de renovação que será posta em prática. Tenho a absoluta confiança de que esse trabalho será feito com sucesso nessa trajetória que terminará em 2014", concluiu. CHATEADO Ontem, ao saber que tinha sido preterido por Muricy Ramalho, Mano Menezes não conseguiu esconder a tristeza. Nos 58 minutos que esteve no campo do Parque São Jorge, por muitas vezes apareceu sozinho, com braços para trás, semblante sério e olhar perdido. Um aperto de mãos e abraço tímido de Ronaldo deram a letra de um comandante magoado. Acostumado a gritar e gesticular bastante com o time, Mano preferiu o isolamento. Apesar de ainda haver a esperança de ser chamado por causa da recusa do Fluminense em liberar Muricy Ramalho, ele preferiu mudar o foco para o "só penso no Corinthians". "Não durmo e não acordo pensando em seleção. Penso no clube, em fazer bem o meu trabalho aqui. Agora tenho de armar bem a equipe para encarar o Guarani", afirmou, visivelmente abalado. A saída parecia passar uma borracha no assunto seleção. Algo difícil numa entrevista com 20 minutos quase todos falando da equipe nacional. "É desgastante desmentir o que não existe. Vinha convivendo com comentários de que não falei, mas existe (o convite da CBF). Ainda bem que uns ainda falam a verdade no futebol", observou. "O meu batimento (cardíaco) não aumentou hoje (ontem) e em nenhum outro dia, pois vivo situações claras", disse, se esforçando para mostrar que não vivia a expectativa de um convite. Na véspera do anúncio do substituto de Dunga, contudo, Mano mostrava alegria, não escondia o sorriso e parecia confiante para uma "convocação" de Ricardo Teixeira. Mano só soube da recusa do Fluminense em liberar Muricy após o treino. Por 10 minutos, conversou com a assessoria de imprensa do clube para definir se encararia, ou não, o grande número de repórteres à sua espera. Problema na voz, após muitos gritos em Goiânia, seria uma saída para não ter de falar do assunto. Ele optou por falar. Acostumado a rir e a fazer repórteres rirem com respostas descontraídas, o máximo que o treinador conseguiu ontem foi arrancar alguns sussurros com uma cara de espanto do tipo: "Nossa, quanta gente". Mano falou muito de seleção, mas novamente preferiu não se candidatar para uma eventual troca, se fosse convidado.