ESPORTES
Sexta-feira, 25 de Junho de 2010, 21h:07
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ITÁLIA
Cannavaro não sabe explicar o vexame
DANIEL AKSTEIN BATISTA
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Coube ao capitão e ao presidente da Federação Italiana de Futebol tentar explicar, ontem, o fiasco da seleção na Copa do Mundo da África do Sul. Um dia após a vergonhosa derrota para a estreante seleção da Eslováquia, por 3 a 2, Cannavaro e Giancarlo Abete encararam a imprensa em uma entrevista que parecia não ter hora para acabar. Os dois admitiram erros e avisaram que mudanças vão ocorrer no time da Itália. O que os dois jogadores falaram, porém, foi justamente o que torcedores e jornalistas pediam há meses: atletas novos na equipe. Sem apostar nos jovens, Marcello Lippi manteve os mais experientes no grupo e não conseguiu evitar o fracasso. Agora, com Cesare Prandelli como treinador, tudo vai mudar. Ordens do chefe. "Precisamos renovar as nossas escolhas", disse Abete. "A seleção precisa de novidades", acrescentou. O comandante, entretanto, vê problemas nesta renovação e estuda mudanças para as próximas edições do Campeonato Italiano. Segundo ele, os times contam com muitos estrangeiros, deixando os atletas locais de fora. "Temos de refletir sobre essa crise estrutural no nosso futebol", disse, preocupado. A Inter de Milão, por exemplo, acabou de levar o título da Liga dos Campeões da Europa sem nenhum italiano como titular no time. De acordo com Abete, Prandelli foi escolhido para assumir a vaga de Lippi - a decisão já havia sido tomada antes do Mundial - principalmente por sua facilidade em trabalhar com os jovens. "E foi por isso que assinamos um contrato de quatro anos, pois pensamos a longo prazo", avisou. Cannavaro seguiu a mesma linha de discurso de Abete e agora espera que a Itália mude para não repetir os erros deste Mundial da África do Sul. "A solução? Temos de investir nos jovens e mudar nossa mentalidade", afirmou. "Temos de mudar, senão ficaremos sem ganhar uma Copa do Mundo nos próximos 25 anos", profetizou. O atleta admitiu que faltou qualidade no grupo. "Temos de nos acostumar que não temos mais jogadores como nas gerações anteriores. Antes tínhamos atletas que fizeram história. Agora, temos de produzir jogadores assim outra vez. Não será fácil", sentenciou. LÁGRIMAS - O experiente zagueiro de 36 anos não conseguiu esconder a dor da eliminação. Sua despedida da Itália foi da pior maneira possível. "Não me envergonho em dizer que chorei esta noite . Depois de 14 anos na seleção, não esperava acabar desse jeito". O capitão não consegue entender o que se passou na noite de 24 de junho - data que já ficou marcada como uma das piores atuações do time na história dos mundiais. E admitiu que todos entraram com medo em campo. "Tivemos medo. Olhava na cara de todos e era o que eu via". A chegada do grupo à Itália está prevista para este sábado.