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Quinta-feira, 26 de Julho de 2007, 20h:38

Brasil tem duas chances de quebrar jejum no boxe

BRUNO CHAZAN
Da Agência Estado – Rio
Um ex-entregador de compras e um ex-vendedor ambulante podem tirar o Brasil de um jejum de 44 anos sem medalhas de ouro no boxe em Jogos Pan-Americanos. Os baianos Everton Lopes e Pedro Lima sobem ao ringue hoje, no Pavilhão 2 do Riocentro, para disputar as finais dos leves e dos meio-médios, respectivamente, e tentarem repetir o feito de Luiz Leônidas César, Elcio Neves e Rosemiro Mateus Santos, os últimos pugilistas que foram campeões - todos no Pan de São Paulo, em 1963. A final de Everton será contra o cubano Yordenis Ugas, que é o favorito ao título. Mas ele não se importa em ser considerado zebra, nem de te perdido para o rival no ano passado. "Ganhei os dois primeiros assaltos, mas parti para a luta franca com ele e tomei a virada. Sei que não posso fazer mais isso", lembrou o brasileiro. Everton é pupilo de Acelino Popó Freitas, o ex-campeão mundial que é um dos chefes da equipe brasileira no Pan. Ele lavava carros e entregava compras num supermercado quando decidiu entrar para boxe, através da academia de Popó em Salvador. "Agora estou vivendo um sonho. Tomara que venha o ouro, com a ajuda da torcida", disse o pugilista. Pedro também é baiano e encara na decisão Demétrius Andrade, um norte-americano de ascendência cabo-verdiana. O brasileiro foi beneficiado com a deserção do cubano Erislandy Lara, campeão mundial da categoria e favorito ao ouro no Pan - ele abandonou os Jogos no Rio para se profissionalizar na Alemanha. Tricampeão brasileiro dos leves, Pedro sonha em dar uma vida melhor à família, que ainda mora em Riachão de Jacuípe, no nordeste baiano. "A prata é pouco, tem que ser ouro", disse, confiante, o pugilista que vendia balas e picolés para sobreviver. Os dois finalistas provam a recuperação do boxe brasileiro em comparação ao Pan de Santo Domingo, em 2003. Naquela oportunidade, os pugilistas do Brasil conseguiram apenas duas medalhas, ambas de bronze. No Rio, quatro anos depois, já são seis de bronze, com possibilidade de ouro hoje. Além disso, a última vez que um pugilista brasileiro disputou uma final pan-americana foi em 1995, quando Popó ficou com a prata em Mar del Plata, na Argentina. "A molecada começou a viajar mais, e essas lutas internacionais ajudaram a trazer experiência à equipe", explicou o técnico Ulisses Silva, ressaltando a importância dos recursos vindos da Lei Agnelo-Piva, que possibilitou o período de treinos em Santo André (SP) antes do Pan. "A qualidade nós sempre tivemos, faltava investimento."

Edição EDIÇÃO 16968




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