DANIEL AKSTEIN BATISTA
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
Os torcedores alemães não querem nem ouvir falar em Kevin-Price Boateng. É só dizer este nome para eles fecharem o rosto. O meia de Gana foi o responsável por tirar o melhor jogador da Alemanha do Mundial da África do Sul. E ninguém se esquece disso. Na final da Copa da Inglaterra, em 17 de maio, entre Portsmouth e Chelsea, Ballack levou uma entrada dura do adversário e sofreu lesão no tornozelo direito, sem chance de se recuperar a tempo para a competição. A Alemanha perdia seu atacante - e o país se revoltava com Boateng. O atleta de 23 anos iniciou a carreira no Hertha Berlim. Filho de pai ganês e mãe alemã, chegou a defender a seleção de base da Alemanha até ser expulso por indisciplina. Assumiu, então, as cores do país de seu pai. Após a lesão de Ballack, o jornal Bild pegou pesado com Boateng, que disse se sentir injustiçado com todas as acusações. O meia afirmou também, na época, que recebeu ameaças de torcedores e que sua família estava preocupada com toda a situação. Se entrar em campo - deve começar na reserva - Boateng vai se ver em uma difícil situação. Além de enfrentar os alemães, ainda lamentando a ausência de Ballack, estará diante de um conhecido - e este sem nenhuma mágoa pelo o que aconteceu: seu irmão. O zagueiro Jerome Boateng atua no Hamburgo e nunca desistiu da seleção tricampeã do mundo. Segundo o meia Schweinsteiger, a Alemanha não pode pensar em nada mais além da classificação à fase seguinte. "Esta não deve ser uma partida entre Alemanha e Boateng", disse.