ESPORTES
Terça-feira, 15 de Junho de 2010, 21h:13
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Apagado, Kaká prefere valorizar a vitória
ROBSON MORELLI
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
O torcedor brasileiro não deve esperar muito de Kaká nesta primeira etapa da Copa. Se conseguir jogar, será da fase de oitavas de final para frente, caso o Brasil confirme sua classificação. O melhor jogador da equipe, herdeiro da camisa 10 de tantos outros craques, o maior deles Pelé, está longe do que pode render. Contra a Coreia do Norte, Kaká foi um meia comum, esforçado diante da condição que carrega de uma temporada ruim e de contusões na Espanha, mas aquém do Kaká que um dia foi escolhido o melhor do mundo. Seu rostinho limpo e suas palavras macias escondem um drama particular: sua falta de confiança, e de quebra seu desejo de ser melhor do que pode neste momento. Ainda não se sabe como o Mundial da África do Sul vai contar sua participação na caminhada do Brasil atrás do hexa. Nas breves linhas deste primeiro jogo, como um jogador comum, igual a tantos outros. Em sua estreia, ele não jogou até fim. Permaneceu 78 minutos em campo para a entrada de Nilmar. Preferiu ressaltar o resultado antes de sua atuação. "Foi uma estreia boa pela vitória e contra um time fechado, mas com a seleção tentando abrir espaços o tempo todo. Valeram os três pontos e a confiança para a próxima partida", comentou. Mas o próprio Kaká, depois de passar 27 dias dizendo que não haveria problemas em sua estreia, reconheceu que nem ele nem a comissão técnica do Brasil sabiam ao certo em quais condições ele se apresentaria. "Fiquei feliz com a minha atuação porque não sabia o que poderia acontecer nessa estreia. No começo do jogo ainda me sentia um pouco temeroso, mas depois me soltei." Dunga já havia programado com o jogador que ele não atuaria os 90 minutos. "Estava combinado de eu ficar o quanto aguentasse. E sabia que não aguentaria até o fim." LUIZ FABIANO - Se há um jogador brasileiro que não estava completamente satisfeito após a vitória de onem sobre a Coreia do Norte esse era Luís Fabiano. O atacante não fez o sonhado gol em sua estreia na Copa do Mundo da África do Sul e teve um desempenho regular, esforçado, brigando pela bola com os zagueiros. Até por causa dessas trombadas ele foi o jogador que mais cometeu faltas no time do Brasil, com quatro. Numa autoavaliação, o ponto é trabalhar mais nos próximos treinos para desencantar e fazer mais do que dar apenas um chute a gol - e para fora. "Apesar de eu não ter feito gol, tenho de estar feliz pelo resultado. Com certeza os gols vão sair. Para voltar a fazer gols, você tem de batalhar e não pode desistir", diz. O ex-atacante do São Paulo reclamou da dificuldade que teve para se movimentar entre a complicada e fechada linha de marcação dos norte-coreanos, com cinco jogadores atrás e mais quatro no meio de campo. "É difícil achar espaço em jogos assim, para um atacante é muito complicado, mas a gente tentou. No segundo tempo foi melhor, conseguimos encaixar algumas jogadas", analisou. Luís Fabiano só demonstrava alívio ao pensar que passou pelo primeiro jogo e pelo longo período de treinos - foram 25 dias. "Tem a ansiedade da estreia, é muita coisa que estava em jogo que a gente conseguiu superar. Agora é ficar feliz pela vitória e trabalhar", conclui, passando calmamente e um pouco cabisbaixo pelo corredor abarrotado de jornalistas.