ESPORTES
Sexta-feira, 18 de Junho de 2010, 21h:14
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CLIMA DESCONTRAÍDO
Ambiente impressiona técnico sueco
Sven-Goran Eriksson se diz satisfeito com a descontração do grupo marfinense e avisa que isso será importante para vencer o Brasil
ALMIR LEITE
Da Agência Estado - Vanderbijlpark, África do Sul
Acostumado com o ambiente mais sisudo dos clubes europeus e da seleção da Inglaterra, que treinou por cinco anos, o sueco Sven-Goran Eriksson, sempre que perguntado sobre como é trabalhar na Costa do Marfim, destaca a felicidade que percebe nos jogadores. "Nunca trabalhei com um grupo tão alegre. Estão sempre sorrindo, brincando. É algo diferente para mim, agradável", afirmou. Ele admite ter sido conquistado pelo espírito dos atletas. E também conseguiu conquistá-los. Os jogadores dizem que o sueco fez algo que havia até quem considerassem uma missão impossível: fazê-los jogar como uma equipe. A importância do treinador foi lembrada ontem pelo lateral Emmanuel Eboue. "Agora somos uma equipe sólida, compacta", disse. "Adquirimos confiança, sabemos que podemos enfrentar qualquer adversário". O jogador do Arsenal acredita ser possível bater o Brasil neste domingo, mas reconhece que o primeiro objetivo marfinense é se defender. "Não somos nós que temos de atacar. A Costa do Marfim, hoje, tem consciência da importância de ser forte defensivamente". O volante Yayá Touré, do Barcelona, também vê no trabalho de Eriksson o maior motivo do crescimento da Costa do Marfim. "Ele mudou nossa mentalidade. É difícil comandar a nossa seleção, mas ele está se saindo muito bem". No início da fase de preparação para o Mundial, em maio, o Eriksson também reclamou do fato de os atletas "não jogarem como uma equipe". Com muita conversa, vídeos e treinos técnicos e táticos, mudou o quadro. Ele assumiu em março, contestado por torcida e imprensa marfinense em função do alto salário - R$ 750 mil/mês até o fim da Copa e bônus generoso se obtiver bom resultado -, no lugar de Valid Halilhodzic. O bôsnio saiu atirando para todos os lados, acusando os jogadores de boicotar seu trabalho (disse que Drogba era um dos líderes dos "conspiradores") e de serem egoísta. "Preocupam-se apenas com si próprios, a seleção, o país, não lhes interessa", atacou à época. Seu sucessor, porém, garante que jamais teve problemas de individualismo no grupo. "Não sei o que acontecia antes da minha chegada. O que posso assegurar é que todos estão interessados e dispostos a se doarem para o bem da equipe". O espírito descontraído dos jogadores não incomoda ao sueco. "Quando é hora de trabalhar, eles são responsáveis, dedicados", garantiu. JOGO COMPLICADO - A partida de amanhã contra o Brasil é definida como "muito difícil" pelos jogadores da Costa do Marfim Com um detalhe: difícil para as duas seleções. "Para os brasileiros também não vai ser fácil, pois temos uma equipe forte, que se defende bem e sabe jogar", disse Eboue. O volante Tiote admite que, pela tradição e o retrospecto recente, o Brasil é favorito. "Mas a Costa do Marfim tem um time bem preparado e o empate para nós seria um resultado interessante". Eboue também elogiou a equipe treinada por Dunga, pelo entrosamento adquirido ao longo dos últimos quatro anos. Ele não quis apontar um destaque individual do adversário. "A seleção brasileira não tem destaque, é forte coletivamente", considerou.