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Segunda-feira, 05 de Julho de 2010, 20h:26

VINGANÇA

Alemães querem se vingar de espanhóis

Depois de perderem a Euro-2008, a Alemanha se apega a vingança para o jogo de amanhã e buscar a vitória para ser finalista do Mundial

ALMIR LEITE
Da Agência Estado - Durban, África do Sul
A delegação da seleção da Alemanha resolveu trocar o politicamente correto pela sinceridade. Alguns jogadores e o técnico Joachim Löw admitem que o jogo de amanhã contra a equipe da Espanha representa mais do que a passagem para a final da Copa do Mundo da África do Sul. É a chance de se vingar da derrota para os adversários na decisão da Eurocopa, dois anos atrás. É com esse sentimentos que os jogadores entrarão no gramado do estádio Moses Mabhida, em Durban. Em 2008, na final da competição continental, em Viena, na Áustria, deu Espanha: 1 a 0. Jogadores como Schweinsteiger, Lahm, Klose e Podolski participaram daquela partida, bem como o treinador Löw, e ainda não esqueceram a derrota. Ontem, em Pretória, local no qual os alemães fizeram parte da preparação para a partida, o treinador alemão admitiu existir "um sentimento de vingança" entre os jogadores. O meio-campista Schweinsteiger foi mais explícito: "Claro que pensamos em nos vingar. Aquela derrota causou muita frustração, mas estamos mostrando agora que podemos ganhar qualquer partida, mesmo de equipes consideradas melhores no papel", afirmou o atleta que atua no Bayern de Munique. Os alemães admitem que eram inferiores aos espanhóis dois anos atrás. E, apesar do "sentimento de vingança" - e das belas exibições nas partidas contra Inglaterra e Argentina, quando venceram por 4 a 1 e 4 a 0, respectivamente -, continuam considerando que os adversários são superiores, embora os espanhóis venham penando para ganhar seus jogos neste Mundial. A distância entre os times, porém, diminuiu, entende Schweinsteger. "Não se pode negar que estamos mais fortes hoje", disse o volante. Löw tem pensamento semelhante: "Perdemos aquela final porque a Espana era, de longe, a melhor equipe do torneio. Agora a situação é outra, sem dúvida estamos mais fortes", avaliou. O técnico alemão, no entanto, admira o time rival. Define a Espanha como "uma equipe que tem vários Messis", o que, para ele, representa uma vantagem significativa em uma partida eliminatória. "Para mim, a Espanha é "a favorita ao título", disse. "É impressionante o comportamento da equipe, sua constância nos últimos dois ou três anos. Estão sempre jogando em alto nível". Para Schweinsteger, a Espanha não vai cometer erros como fez Inglaterra e Argentina. Por isso, a melhor maneira de a Alemanha chegar à vitória amanhã é ter bastante aplicação tática e espírito coletivo. E também marcar forte no meio de campo, para evitar que a bola chegue aos atacantes Villa e Fernando Torres. DESFALQUE - O meia-atacante Thomas Müller, suspenso com dois cartões amarelos, não joga a semifinal. Pode até ser substituído pelo brasileiro naturalizado alemão Cacau. O atacante reclamou de dores no abdome, mas ontem surpreendeu e participou do treino. O lateral Friedrick e o volante Khedira foram poupados, mas de acordo com Löw, têm condições de atuar. O atacante Klose, um dos vice-artilheiros desta Copa do Mundo com 4 gols, está escalado. Mas do que alcançar o espanhol Villa, com 5 tentos anotados até agora, o polonês naturalizado alemão quer ao menos igualar a marca de Ronaldo, juntando-se ao brasileiro como jogador que fez mais gols em mundiais. O atual jogador do Corinthians fez 15, Klose está com 14. SUPERSTIÇÃO - Joachim Löw vai usar no confronto válido pela semifinal do Mundial sul-africano o mesmo casaco azul que vestiu nas últimas partidas da Alemanha na competição. A peça não foi, e nem será, lavada. O treinador garante que não é supersticioso. O problema é que vários jogadores e alguns de seus auxiliares são. Por isso ele foi "intimado" a continuar usando o casaco e proibido de mandá-lo para a lavanderia. "Eu não tenho essa coisa de superstição", garantiu Löw. "Mas outros integrantes da equipe me disseram para continuar colocando o casado porque cada vez que o vesti nós fizemos quatro gols (Inglaterra e Argentina)", acrescentou.

Edição EDIÇÃO 16962




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