ESPORTES
Sexta-feira, 04 de Dezembro de 2009, 23h:01
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África do Sul sonha fazer bonito
A Copa do Mundo chega em 2010 a um continente bom de bola, mas que ainda está a anos-luz de atingir a elite do futebol. À África não faltam craques, mas eles quase nunca estão por lá. Desde os tempos do "português" Eusébio, passando por George Weah e chegando hoje ao fazedor de gols Didier Drogba, jogador africano para fazer sucesso e fortuna, ou pelo menos ajeitar a vida, tem de partir para a Europa. No entanto, não é só dinheiro que falta ao continente. A organização é deficiente, o jogo de interesses está bastante presente e as condições de preparação são precárias. Tudo isso torna o futebol africano quase amador, quadro que o Mundial de 2010 não reverterá. A bola rolando na África teve início, segundo registros, no fim do século 19 pelo países do norte. Mas em todo o continente o futebol já era jogado, levado pelos colonizadores. Na África do Sul, há registros de uma partida entre trabalhadores negros e soldados brancos, em 1862, na Cidade do Cabo. Na África, até hoje há setores que consideram o futebol um esporte praticado pela maioria pobre e negra, que só precisa de um pedaço de terra e de uma bola surrada pela praticá-lo com pés descalços. Talvez também por isso a África, por muitas décadas, tenha servido para reforçar equipes europeias e até seleções. Eusébio, nascido e criado em Moçambique, é o maior exemplo. Mas na Copa de 1934 o argelino Joseph Alcazar defendeu a França. A seleção francesa, aliás, é campeã em aproveitar seus cidadãos nascidos em outros países. Tiganá, que disputou os mundiais de 1982 e 1986, nasceu no Mali; Viera é senegalês, assim como o atual titular da lateral-esquerdo, Evra. Mas não se pode ignorar o crescimento do futebol africano, ao menos em nível de seleções nacionais. Inicialmente, equipes de países com ligação com os árabes ganharam destaque, como a Argélia da década de 1980. Depois, seleções como Nigéria, Gana e Camarões obtiveram resultados expressivos e até títulos mundiais em categoria de base. Títulos colocados sob a dúvida de terem sido conquistados por jogadores acima da idade, uma vez que a falta de controle no registro dos nascimentos no continente favorece a existência de "gatos". Dúvidas à parte, craques de origem africana não faltam ao futebol mundial. O camaronês Roger Milla, o argelino Madjer, o ganês Abedi Pelé, os nigerianos Amocachi, Amunike e Finidi, entre outros, tornaram a mão de obra futebolística do continente respeitada. Mas o maior foi o liberiano George Weah, o melhor do mundo em 1995, quando jogava pelo Milan. Claro, a África atual tem jogadores que chamam a atenção, como os camaroneses Etoo e Song, os marfinenses Drogba e Kalou e o nigeriano Obafemi Martins. Já dá até para lamentar a ausência de alguns na Copa, como o togolês Adebayor. A África está crescendo, há a expectativa de que pelo menos uma de suas seleções faça bonito na Copa. Talvez a previsão de Abedi Pelé - "A seleção campeã mundial em 2010 será africana" - seja exagerada. Mas é certo que o futebol africano já não é mais apenas um convidado divertido para a festa.