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Quinta-feira, 10 de Junho de 2010, 22h:27

África do Sul estreia para fazer história e dar alegria

DANIEL AKSTEIN BATISTA
Da Agência Estado - Johannesburgo, África do Sul
A África do Sul joga por seu povo e por sua história. E para fazer história. Na sua terceira Copa do Mundo, a seleção busca hoje corresponder com uma vitória o apoio que tem recebido nas últimas semanas. Para isso, deve atacar o México desde o começo. O adversário, com um esquema bastante ofensivo, é bastante vulnerável na defesa, segundo Carlos Alberto Parreira. Assim, ele já pediu para que seu time aproveite os espaços deixados pelo rival. "Estamos confiantes. Sabemos que o México é perigoso, mas não o tememos", disse o técnico. "Eles têm o seu estilo e nós temos o nosso. Vamos transformar este estádio num inferno para eles. A estreia da Copa sempre intimida os times e amanhã (hoje) vai ser uma guerra", falou. "Nossa equipe já tem uma identidade e queremos que os sul-africanos tenham orgulho e confiança da gente". A seleção pode até ser limitada tecnicamente e não ser a favorita do grupo à classificação para as oitavas de final - Uruguai e França completam a chave. Mas o que não falta ao elenco é confiança e vontade. Por jogar em casa e com o apoio da torcida, os jogadores acreditam na vaga. "Os Bafanas agora têm a sua cara. Se temos uma coisa boa, é a identidade", declarou o capitão da equipe, Aaron Mokoena. "Temos de usar a confiança e a velocidade, que são as nossas armas". Em seu sexto Mundial, Parreira recuperou a autoestima do grupo e da população, que estava em baixa após maus resultados de Joel Santana - apesar de que no ano passado os "Bafanas" chegaram às semifinais da Copa das Confederações, perdendo justamente para o Brasil. E é com o futebol verde e amarelo que Parreira comanda a África do Sul. "Eu nunca falei para eles (os atletas) jogarem como os brasileiros, mas para eles terem os mesmos princípios, como o toque de bola e a criatividade", contou o treinador, que também usa um profissional para dar palestras motivacionais ao grupo. EMBALO - Por atuar em casa, os jogadores se sentem na obrigação de chegar à fase seguinte e ganhar hoje é fundamental para a meta ser alcançada. Sempre sereno na entrevista de ontem, Parreira disse que uma derrota não é motivo para preocupação. "Um resultado positivo aumenta nossa confiança e aí ninguém nos segura. O povo vai ficar entusiasmado e vamos embora", declarou. "Se perdermos, não tem por que desanimar". A união é um dos aspectos mais positivos do grupo. E Parreira conseguiu o apoio dos jogadores com certas coisas que parecem simples, mas que fazem a diferença. Enquanto muitas seleções estão reclusas e sem folgas, o treinador liberou os atletas a ter a companhia dos familiares. Não sempre, claro. "Não estamos numa prisão nem num acampamento militar", comparou. "Temos um espaço reservado no hotel e as mulheres e os filhos dos jogadores podem ir visitá-los. Aí eles ficam com mais energia".

Edição EDIÇÃO 16967




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