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Sexta-feira, 12 de Março de 2010, 20h:40

FLAMENGO

Adriano afirma que não usa droga

Jogador resolve falar e diz que não usa qualquer tipo de drogas e que vai continuar freqüentando a favela para rever os amigos

LEONARDO MAIA
Da Agência Estado – Rio
Depois de uma semana de silêncio e muita controvérsia, Adriano falou. Não fugiu de nenhuma pergunta durante a coletiva que durou quase 30 minutos, ontem, na Gávea. Ele mesmo se disse uma "pessoa calada, fechada", ao justificar o silêncio que o tem caracterizado nesta temporada, desde o episódio do pé queimado na lâmpada de jardim em dezembro passado, na reta final do Campeonato Brasileiro. Mas quando fala, Adriano transmite sinceridade. Só mostrou-se irritado quando abordado sobre o uso de drogas ilícitas, boatos que ligou ao preconceito por frequentar a favela onde nasceu no Rio de Janeiro. Sobre se temia que o episódio envolvendo sua namorada, que o afastou dos últimos jogos do Flamengo, poderia lhe custar uma vaga para a Copa do Mundo, foi taxativo. "Não tenho preocupação nenhuma". Negou que tenha, atualmente, problemas com bebidas, mas admitiu que já foi uma questão, e citou os tempos de São Paulo. USO DE DROGAS - "Se eu usasse drogas eu seria pego no antidoping. Eu sou uma pessoa normal como todo mundo. Não posso tomar uma cerveja? De repente é porque eu vou à favela e todo mundo associa: se eu vou lá, eu devo usar drogas. Lá também tem coisas boas. Não vou deixar de ir para lá. Nunca usei, nunca provei. Isso que me deixa chateado. Preocupa-me é a minha família, os meus filhos. De repente chegam para o meu filho na escola e podem dizer que o pai é drogado". CONVOCAÇÃO PARA A COPA DO MUNDO - "Não temo sobre convocação. Sinceramente não. As pessoas que me conhecem realmente sabem como sou. Estou muito tranquilo. Estou até feliz porque vi o tanto de gente que quer meu bem. Foi bom para abrir os olhos e ver quem está do meu lado. Tem muito mais pessoas que querem o meu bem". CERVEJA, RICARDO TEIXEIRA E PROBLEMAS NO SÃO PAULO - "Qual jogador não bebe cerveja? Isso é porque já vim de um problema no São Paulo e associam a isso. Se eu tivesse um problema agora, eu não estava mais jogando. Ele (Ricardo Teixeira, presidente da CBF) falou isso para tomar cuidado. Não exagerar. Tem gente que toma 10, 20 chopes e fica bem, outros tomam um copinho já ficam embriagados. Foi um problema que já tive e não tenho mais". CONVERSAS COM DUNGA E JORGINHO - "O Dunga conversou comigo de maneira geral. Pediu para tomar cuidado, se cuidar um pouco mais. O Dunga me conhece muito bem. O Jorginho me encontrou na praia. Cumprimentou-me, falou que está comigo, que não está dando bola para o que está saindo. Para ficar tranquilo. Que dentro de campo eu reverto isso. Que está tudo em paz". PESO - "Meu peso ideal é 99 quilos e engordei dois quilos nesse tempo que fiquei parado. Estou com 101 quilos. Sinceridade. Falaram que eu estava com 106. Não é verdade". PATRÍCIA AMORIM E AJUDA PSICOLÓGICA - "Conversei com a Patrícia (presidente do Flamengo). É claro que ela tem a preocupação de saber o que houve. O Marcos Braz esteve comigo no dia anterior da confusão. Eu falei que não estaria com cabeça para jogar. Ela falou que estava comigo, que era uma coisa ruim, mas que faz parte da vida. Ela colocou uma psicóloga à disposição. Veja bem, uma psicóloga. Até para eu desabafar porque tinha muita coisa na minha cabeça. Sou uma pessoa muito calada, fechada. Precisava desabafar. Colocaram uma pessoa para eu colocar tudo para fora". ITÁLIA E VONTADE DE PARAR - "Em nenhum momento senti vontade de parar. Só deu mais força. A gente cai para se levantar. Não vai acontecer mais aquilo que aconteceu na Itália. Não penso em desistir porque seria uma decepção para minha família". SOBRE ALEGRIA DE JOGAR FUTEBOL - "Claro que eu sinto até hoje quando jogo futebol com meus amigos, na comunidade. Lembro até hoje da final do campeonato que disputávamos. Sempre que vou lá passa na cabeça a minha infância. Não perdi de maneira nenhuma a alegria de jogar. Já estou vacinado contra tudo que acontece. Aconteceu uma coisa na vida, com outra pessoa não repercutia tanto. Isso vai dando mais força para a gente". VOLTA AO FLAMENGO - "Abri mão de R$ 17 milhões. Sabe o que é isso? Abri mão de 17 milhões para estar aqui. Sou uma pessoa não esnobe, sou muito humilde, não gosto de desfazer de ninguém. Não sou assim". RELAÇÃO COM A IMPRENSA - "É preciso respeitar a privacidade. Eu também tenho família. Não quero ver uma coisa ruim acontecer. Hoje eu estou falando aqui com vocês e amanhã vai sair de outro jeito. Por isso não venho mais. Não quero atrito. Não vou ficar falando. Qualquer coisa que falam de mim botam no jornal, a mulher está grávida, está bêbado, está isso, está aquilo". SOBRE O PERÍODO DE AFASTAMENTO DO CLUBE E SUA CONDIÇÃO - "Foram quatro dias que eu fiquei parado, fisicamente não perde muito. Só ritmo de jogo. Este trabalho serve para eu ganhar os quatro dias que eu perdi. Espero que domingo (no clássico contra o Vasco) eu possa fazer uma boa partida". EPISÓDIO NA FAVELA DA CHATUBA - "Aconteceu esse episódio com a minha noiva. Não houve agressões. Ela estava certa, só queria o meu bem. Os jogadores queriam conhecer minha comunidade e ficamos lá umas duas horas e meia. Eu não tinha chegado em casa e qualquer mulher ia ficar preocupada. Ela chegou me empurrando, discutiu um pouco com o (o goleiro) Bruno. Estava com medo porque não cheguei em casa na hora que ela tinha determinado. Foi bom para eu aprender a chegar no horário".

Edição EDIÇÃO 16962




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