ESPORTES
Terça-feira, 28 de Junho de 2016, 18h:58
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EUROCOPA
Aaron Gunnarsson, o líder da Islândia
Equipe sensação da Eurocopa será a adversária da anfitriã França, no domingo, no Stade de France
Quando olho para o meu companheiro de equipe, sei que ele sacrificará para compensar meus erros. E eu faço a mesma coisa para ele. É a nossa atitude, a nossa mentalidade. E acreditamos nela. A frase acima, mostrando uma extrema doação em campo, foi de Aaron Gunnarsson, capitão da Islândia, após a vitória da sua seleção sobre a Inglaterra por 2 a 1 e que valeu uma improvável qualificação para as quartas de final neste domingo, no Stade de France, quando enfrentará a anfitriã França. Gunnarsson não é o goleador do time, tarefa de Sighthórsson. Nem o craque, este é Gilfy Sigurdisson, o baixinho da camisa 10. Mas o meia de 27 anos, 63 jogos e dois gols pela Islândia é, sem dúvida, a cara da seleção nesta Euro. Capitão desde 2012 assumindo a braçadeira do ídolo Gudjohnssen, Gunnardsson marca presença tanto fisicamente (forte como um jogador de rúgbi e com uma barba viking) como pelo comportamento que em nada se assemelha às "prima donnas" do futebol. Em campo é um líder incontestável e para completar, desde a vitória sobre a Áustria - que valeu a vaga às oitavas - puxa a comemoração que está virando marca registrada da sua seleção e da torcida: numa pose de guerreiros, jogadores e torcedores esticam os braços e batem palma com força acima da cabeça, aos gritos de "Hu, Hu, Hu". Lembra um pouco o famoso "haka" da seleção de rúgbi da Nova Zelândia. Gunnarsson vem sendo a figura da Islândia desde o início da Euro. Ele foi protagonista da cena em que Cristiano Ronaldo aparentemente o ignorou e não quis fazer a troca de camisa. A imprensa logo disse que o português respondeu: "Não troco, quem é você", o que gerou uma revolta na imprensa a ponto de o jornal alemão "Bild" dizer que CR7 era o vaidoso mais arrogante do mundo". O meia, perguntado sobre o assunto, resolveu encerrar a polêmica: Cristiano não me perguntou quem eu era. Apenas disse para trocarmos as camisas no vestiário, o que não aconteceu. Estou cansado desta história, quero ficar focado os jogos contra Hungria e Áustria. Gunnarsson mostrou seu bom humor quando os companheiros deram a ele uma camisa de CR7. Até posou com ela. Mas cumpriu o prometido, focando ainda mais os treinamentos que a seleção faz no seu QG, que fica na cidade de Annecy, pertinho de Lyon. Quando perguntado sobre o título que estampou a manchete do principal jornal islandês (o Frettabladid, algo como Jornal dos Furos, em Islandês) "Onde isso irá parar?", o meia repetiu o discurso da comissão técnica e de vários companheiros: Chegamos longe nesta Euro. Mas dá para sonhar um pouco mais, disse Gunnarsson, louco para repetir após o jogo as cenas de carinho e beijos na esposa Kris, presença constante nas arquibancadas ao lado dos simpaticíssimos e incríveis torcedores islandeses, já que 4% da população (330 mil do país marca presença na França de uma forma ordeira e elogiada por todos. E, claro, Gunnarsson quer puxar mais uma vez a celebração da vitória. "Hu-Hu-Hu".