Editoriais
Quarta-feira, 07 de Abril de 2010, 22h:17
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Viver Cuiabá
Não é pela culinária, porque farofa de banana é comida trivial. Nem pelo clima quente, afinal vivemos num país tropical. Muito menos pelo porte de metrópole, porque seu quantitativo populacional não a situa entre as grandes cidades brasileiras. Como então se explicar o quê de Cuiabá, que a faz tão especial assim? Explica-se pela têmpera do cuiabano, moldada ao longo de quase três séculos numa região cercada por todos os lados pela América Latina, onde a solidão abria o coração do residente à espera do viajante. No ontem, cada canoa ou chalana que atracava no rio que empresta o nome ao lugar era motivo de alegria, pois trazia gente, ainda que não fosse para ficar, mas ao menos para contar novidades aos brasileiros anfitriões que respondiam pela consolidação da fronteira oeste. Desde seu sopro de vida, em 8 de abril de 1719, quando da lavratura da ata de sua fundação, às margens do Coxipó, Cuiabá é terra acolhedora, sempre foi cidade eclética, berço de miscigenação permanente, mas sem abrir mão do que há de mais puro em sua gente: o espírito de cuiabania. Em todos os sentidos cuiabania é a alma e o inconsciente coletivo dos que nascem em Cuiabá - e também dos que adotam essa cidade como sua e não se trata de xonofobia, porque no coração do verdadeiro cuiabano não há lugar para esse tipo sentimento. A Cuiabá nativa, ou de tchapa e crux como se diz em seu linguajar carregado por um sotaque que se parece com muitos e ao mesmo tempo é único, e a Cuiabá adotiva formam uma só comunidade, um só povo. Essa cidade nascida na esteira da corrida do ouro é motivo de orgulho para o Brasil, porque seus filhos participaram de todos os grande momentos da Nação em tempos de paz e guerra, de normalidade e quebra de institucionalidade. A Cuiabá caminho dos bandeirantes, ponto equidistante da ligação bioceânica,encruzilhada do Brasil, é mais que mera Capital em desenvolvimento e que se prepara para o maior evento do futebol, a Copa do Mundo. Acima de tudo essa cidade nascida da ousadia de Pascoal Moreira Cabral é uma intrigante mistura de memória coletiva, de tradição que atravessa séculos e de responsabilidade cívica. Maior que os problemas cíclicos enfrentados em sua trajetória, Cuiabá avança pelo tempo consolidando conquistas no cotidiano desenhado pelo trabalho de seu povo. Sem se deixar esmorecer pelos percalços naturais de cidade que chega aos 291 anos, a Capital mato-grossense demonstra vitalidade, capacidade de sonhar e de ousar, esbanja sensualidade e poder de sedução, atrai para si com a força de poderoso imã, escreve a página do hoje com seus problemas sem se esquecer das glórias do ontem e pensando na vitória do amanhã. A cidade vive dos que vivem nela, disse certa feita o fundador deste Jornal, João Alves de Oliveira. O Diário orgulha-se de viver Cuiabá e de carregá-la em seu nome. Parabéns povo cuiabano! Escreve a página do hoje com seus problemas sem se esquecer das glórias do ontem e pensando na vitória do amanhã