Editoriais
Sexta-feira, 09 de Novembro de 2012, 20h:48
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Vitória sobre a crise
A opção dos norte-americanos de darem uma segunda chance ao presidente e candidato democrata Barack Obama, reelegendo-o, em vez de oferecerem uma primeira oportunidade ao republicano Mitt Romney, resultou mais numa emblemática vitória sobre a crise econômica, cujo legado mais visível ainda é uma taxa de desemprego próxima de 8%, do que sobre o oponente. As dificuldades norte-americanas evidenciadas ao longo da campanha eleitoral são semelhantes às que, em países da União Europeia, impediram recentemente a continuidade dos projetos políticos de Nicolas Sarkozy, na França, e de Silvio Berlusconi, na Itália, entre outros menos influentes, e que agora precisarão ser enfrentadas pelo presidente reeleito. Se, para os Estados Unidos da América, o melhor ainda está por vir, como anunciou o presidente reeleito no discurso da vitória, essa é uma questão que interessa não apenas a esse importante parceiro comercial, mas também a países como o Brasil, praticamente excluído da pauta da Casa Branca nos últimos quatro anos. Assim como no Brasil desde que foi instituída a reeleição, a conquista do segundo mandato no auge da crise norte-americana resultou de uma campanha dispendiosa, radicalizada e na qual o candidato vitorioso precisou comprovar que não era o presidente de um mandato só, como insistiu a oposição durante toda a campanha. Com exceção de chagas como o terrorismo e as especificidades da política externa, ambos os países têm problemas e desafios domésticos muito semelhantes. No âmbito das dificuldades, os Estados Unidos vivem um verdadeiro abismo fiscal e, novamente à semelhança do Brasil, precisaram recorrer a fortes políticas de incentivo fiscal para reanimar segmentos industriais com potencial para gerar mais vagas. Os desafios também são equivalentes. O presidente reeleito precisará recorrer a reformas estruturais profundas para equilibrar as finanças públicas e garantir mais investimentos em educação, como forma de fortalecer a economia e os ganhos dos cidadãos. No mesmo pronunciamento da vitória, o presidente reeleito lembrou que os norte-americanos votaram por ação, não por política. Os eleitores, de fato, reconheceram com seus votos que um líder pode acertar e o presidente norte-americano acertou ao democratizar o sistema de saúde do país, assim como parece estar acertando nas medidas de reaquecimento da economia , mas pode também errar. Votaram, portanto, pela continuidade de um governo dividido em Washington, deixando a Casa Branca e o Senado em poder dos democratas e os republicanos, de oposição, no comando da Câmara. A opção da maioria também deve ser interpretada como de rejeição a uma mentalidade conservadora, que se recusa a aceitar as diversidades raciais, políticas e culturais, e como uma reafirmação do anseio por mais prosperidade. Reeleito apesar das dificuldades econômicas, Barack Obama precisará se concentrar nos desafios internos. É importante, porém, que sob seu comando os Estados Unidos possam rever também sua pauta externa, buscando mais afinidade com parceiros como o Brasil. A opção da maioria também deve ser interpretada como de rejeição a uma mentalidade conservadora