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Editoriais
Quinta-feira, 28 de Janeiro de 2010, 01h:44

Violência no trânsito

Os números da violência no trânsito em Mato Grosso que acabam de ser revelados pela Confederação Nacional dos Municípios assustam. Afinal, o Estado é o quarto na Federação em mortes por atropelamentos, colisões e outros acidentes nas rodovias e ruas envolvendo veículos. Em Mato Grosso no período de 2005 a 2007, em média 29,6 pessoas em cada grupo de 100 mil habitantes morreram em acidentes de trânsito, o que resultou em 2.512 vítimas fatais no período, sem computar outras, que perderam a vida durante tratamento hospitalar. Somem-se a essas, milhares de outras que sofreram algum tipo de trauma ou amputação. A dura realidade do trânsito rodoviário e urbano em Mato Grosso merece reflexão e o mesmo pode se dizer sobre Cuiabá especificamente, onde em média morreram 135 pessoas anualmente entre 2000 e 2007 nos incontáveis acidentes ocorridos no período. Autoridades do trânsito reconhecem que em alguns acidentes a causa está diretamente relacionada à má conservação da rodovia e que outros resultam de falhas mecânicas nos veículos. Porém, as quatro principais causas das mortes nas estradas e ruas são: excesso de velocidade, imprudência, direção sob efeito de algum tipo de droga lícita ou não, e excesso de peso nos veículos transportadores de cargas. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem modesto efetivo em Mato Grosso, mas, mesmo se contasse com bem mais policiais não teria condições de se fazer onipresente a cada palmo das estradas. A fiscalização inibe a velocidade, mas quem não respeita os limites tão logo se afasta do ponto sob vigilância da PRF acelera fundo transformando seu carro em perigosa arma. Praticamente não há patrulhamento por parte da Polícia Militar Rodoviária, salvo nos acessos a Leverger e Chapada dos Guimarães, mas sobre essa corporação o entendimento é o mesmo quanto a PRF no tocante ao fator velocidade. A imprudência é questão cultural. O motorista que não respeita vaga para portadores de necessidades especiais é o mesmo que ultrapassa sobre faixa contínua. Bebida, drogas pesadas e as anfetaminas conhecidas por “rebite’ que são comumente usadas por carreteiros e caminhoneiros precisam de duro enfrentamento policial, porque respondem por grande parte da verdadeira guerra sobre pneus que enluta Mato Grosso. O excesso de carga depende do controle pelas notas fiscais, porque em Mato Grosso são raras as balanças rodoviárias. Essa questão somente será superada quando houver efetiva participação das empresas transportadoras. A violência nas estradas e ruas começa fora dos veículos e está arraigada nos condutores que não respeitam seus semelhantes e apostam na impunidade que mantém ao volante reincidentes motoristas que se envolveram em graves acidentes e aqueles flagrados desrespeitando a legislação de trânsito. “A dura realidade do trânsito rodoviário e urbano em Mato Grosso merece reflexão”

Edição EDIÇÃO 16967




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