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Editoriais
Terça-feira, 11 de Dezembro de 2012, 20h:47

Violência descontrolada

Ao mesmo tempo em que reduz a pobreza e avança na construção de um Estado democrático, o Brasil falha no controle da violência e no respeito a direitos humanos. O alerta é da Anistia Internacional, com base na verdadeira epidemia de homicídios registrada no país, que atinge especialmente jovens em geral e jovens negros em particular. A pesquisa Mapa da Violência 2012 escancara esta realidade. Apenas em 2010, 8.686 crianças e adolescentes foram vítimas dessa violência, levando um diretor da Anistia Internacional a lembrar que o número equivale à queda de 43 aviões lotados num único ano. Neste contexto, muitos estados brasileiros, incluindo Mato Grosso, aparecem em posições constrangedoras, principalmente em relação à impunidade, já que a grande maioria dos inquéritos de homicídios é arquivada sem solução. Nessa progressão, apontada pelo levantamento realizado por diferentes instituições, entre as quais o Centro Brasileiro de Estudos Latino-americanos (Cebela), o Brasil tem dificuldade para melhorar em outras áreas. Apesar dos avanços no âmbito econômico e social, o país se distancia cada vez mais de acordos e convenções internacionais, como a Declaração Universal dos Direitos Humanos. O fenômeno ocorre tanto em consequência da mortandade nas ruas, que transforma em vítimas particularmente os jovens, quanto da qualidade de vida deteriorada dos presídios, que de maneira geral não conseguem nem livrar a população do risco oferecido por criminosos, nem recuperá-los para conviver em sociedade depois do cumprimento da pena. Da mesma forma como se esforça para garantir a continuidade do crescimento econômico e dos avanços sociais, o país precisa agir rápido para decifrar as causas da criminalidade e enfrentá-las com determinação, garantindo maior qualidade de vida para os brasileiros. É inadmissível que a sociedade continue a conviver com situações como a registrada em São Paulo, onde criminosos ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) – a facção que controla os presídios paulistas – estão na origem da maior parte do registro de assassinatos, que envolvem também policiais determinados a vingar a morte de colegas. E é menos aceitável ainda que outras regiões do país, embora por motivações diferentes, venham registrando índices de assassinatos até 2,5 vezes maiores. Historicamente, o país passou a ideia de que o recrudescimento da violência devia-se às dificuldades econômicas e à perversa distribuição de renda. Na medida em que essas questões vão se tornando um problema menor, cresce a necessidade de maior determinação sob o ponto de vista da prevenção da criminalidade, com a ampliação de oportunidades de trabalho e lazer para os jovens. Ao mesmo tempo, é preciso investir em mais qualidade no policiamento, em maior empenho na investigação de crimes e, é claro, em mais vagas nos presídios para evitar que a sensação de impunidade continue a incentivar ainda mais os criminosos. É preciso investir em mais qualidade no policiamento, em maior empenho na investigação de crimes

Edição EDIÇÃO 16964




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