Editoriais
Segunda-feira, 20 de Julho de 2009, 20h:39
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Verba para mordomias
O debate que se verifica, atualmente, em alguns pontos do país, sobre o uso (indevido) de recursos do contribuinte e a prática condenável do nepotismo, entre outras maracutaias, convenhamos, poderia ser estimulado a ocorrer em Mato Grosso. Afinal de contas, é um direito da sociedade tomar conhecimento pleno sobre a forma como deputados e senadores gastam o dinheiro público. Na verdade, o gasto das denominadas verbas indenizatórias sempre se constituíram um mistério. E o cidadão precisa saber o que se faz com cada centavo que ele paga a cada um de suas excelências. A propósito dessa situação inusitada, chama a atenção notícia de que a bancada de Mato Grosso na Câmara Federal, por exemplo, gastou, apenas no primeiro semestre deste ano, mais de R$ 614 mil de verbas indenizatórias, recurso público destinado exclusivamente ao custeio de despesas oriundas da atividade parlamentar. Esse montante, quando nada, é considerado suficiente para comprar 26 carros populares, ou para construir 12 casas populares. Como este Diário revelou, com base em informações do portal Transparência, disponibilizado no site institucional da Câmara Federal, dos oito deputados federais de Mato Grosso, Carlos Bezerra (PMDB) é considerado o campeão de gastos com verba indenizatória. Ele gastou mais de R$ 90 mil, entre janeiro e junho deste ano. Mas, o que chama a atenção, no caso do peemedebista, é o gasto com alimentação. Ao que consta, o próprio parlamentar informa ter gasto R$ 179,56 com duas refeições pagas com dinheiro da Câmara Federal, no mês de julho, em Cuiabá. Uma, num misto de boate e restaurante, no valor de R$ 87,56; e outra, numa doceria, no valor de R$ 92. O parlamentar também registrou outros gastos com combustível, consultoria, serviços postais e telefonia. Conforme o portal do Congresso, outros parlamentares de Mato Grosso também se utilizaram desse benefício específico, para gastos fora do estabelecido na legislação. O deputado federal Carlos Abicalil (PT), por exemplo, declarou ter gasto R$ 56 com alimentação em uma churrascaria no interior de Mato Grosso. A farra nos gastos contempla outros parlamentares, que, pelo que deixaram transparecer, não têm a menor preocupação com a lisura. Os gastos que suas excelências têm o "direito" de fazer com o dinheiro do contribuinte são mal explicados. É fácil, por exemplo, fazer festa com o dinheiro público e tentar justificar com a desculpa esdrúxula de divulgação de mandato parlamentar. Desde quando se fez esse tipo de divulgação em boate, doceria e churrascaria? É fácil fazer festa com o dinheiro público e justificar com a desculpa esdrúxula de divulgação de mandato parlamentar