NA HORA
O jornal de Mato Grosso Facebook Facebook twitter youtube

Cuiabá MT, Quinta-feira, 11 de Junho de 2026

Editoriais
Terça-feira, 18 de Maio de 2010, 20h:50

Um trem para a China

Mato Grosso tem excelente quadro sanitário animal, mas mesmo assim nesta década as carnes bovina e suína mato-grossenses sofreram alguns embargos, sendo que o mais contundente foi imposto pela Rússia em razão da notificação de um foco de febre aftosa no município paraense de Monte Alegre. Para tomar tal posição a Rússia levou em conta as prerrogativas do seu acordo binacional com o Brasil que previa em um de suas cláusulas que: em caso de (notificação de) aftosa num estado Moscou poderia suspender sua importação de carne do estado vizinho, como forma preventiva. O Brasil assustou-se com a decisão da Rússia e o então ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, veio a Cuiabá acompanhado por uma missão russa para demonstrar aos importadores que a carne mato-grossense não corria risco em razão da aftosa no Pará. Até então, Moscou desconhecia que a distância de Monte Alegre a Mato Grosso é de 1.100 km e que existem duas grandes barreiras naturais entre a região afetada e a área exportadora: a floresta Amazônica e o rio Amazonas. Não há conexão entre esse fato e a luta de Cuiabá pela Ferrovia Senador Vicente Vuolo. Porém, em ambos os casos há interesse econômico internacional em jogo. A Rússia depende das carnes suína e bovina do Brasil para alimentar parte de sua população, fator esse mais que suficiente para sensibilizar o Kremlin e impedir que questões de outras áreas interfiram em sua política de segurança alimentar. Cuiabá precisa expandir os horizontes de sua luta pela ferrovia, que se arrasta desde o começo do século passado com o sonho de Esperidião Costa Marques, que passou pela poesia de Maria Dimpina e por ações políticas do deputado federal e senador Vicente Vuolo. É palpável o empenho da classe política pelos trilhos, pelo apito do trem no centro geodésico do continente. Porém, essa bandeira tem que ganhar esfera internacional e empresarial. Por mais abrangente que seja o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) não tem lastro orçamentário nem extra-orçamentário para encampar todas as grandes obras estruturantes nacionais, o que pode manter a luta pelos trilhos no campo dos sonhos. É hora de fazer o que fez Pratini de Moraes. A maior questão estratégica da China é alimentar 1,3 bilhão de chineses, porque qualquer frustração da safra mandarim pode se transformar em tragédia humanitária. Está na hora de Mato Grosso mostrar a Pequim a importância da ferrovia entre Cuiabá e Rondonópolis – onde os trilhos chegarão no próximo ano –, para escoamento para a China de grãos, sobretudo de soja, em escala compatível com a demanda chinesa. Feito isso e se estabelecendo acordos de exportação e de intenção de exportação, é possível se obter financiamento em yuan e tecnologia para a construção dessa ferrovia. Em questão de transporte ferroviário o que conta é lucratividade. Sob todos os aspectos a China terá lucros com o apito do trem em Cuiabá. É imprescindível que a classe política pense sobre isso. Está na hora de Mato Grosso mostrar a Pequim a importância da ferrovia entre Cuiabá e Rondonópolis

Edição EDIÇÃO 16960




ENQUETE
Você acredita que a Ferrovia Vicente Vuolo vai chegar a Cuiabá?
Sim. Seria uma questão de tempo. E de interesse.
Não. A Rumo já sinalizou que não é uma prioridade
Tanto faz. Em MT, os políticos não ligam para a obra
PARCIAL