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Editoriais
Sábado, 11 de Julho de 2009, 13h:24

Um basta aos escândalos

A próxima terça-feira, 14 de julho de 2009, dependendo do comportamento dos senhores vereadores, tem tudo para entrar para a história da Câmara Municipal de Cuiabá como a data em que esse Poder se livrou de uma tradição de impunidade. Como foi amplamente divulgado, a Comissão de Constituição e Justiça do Legislativo deliberou por parecer favorável à tramitação do pedido da Comissão de Ética, de perda de mandato do vereador Ralf Leite (PRTB), por quebra de decoro. A expectativa é de que o resultado da votação, em Plenário, reflita o desejo da sociedade – o de que se faça Justiça, com uma punição das mais exemplares a quem não honrou a função pública delegada pelos cidadãos. A Câmara deve uma resposta convincente à sociedade sobre a passividade como, ao longo dos últimos seis meses, encara uma sucessão de escândalos que desgastam a sua já desgastada imagem e põem em dúvida a moral de um conjunto de homens públicos. Um dos mais tristes episódios, não há como negar, diz respeito ao envolvimento do vereador Ralf num escândalo de natureza sexual, com um travesti adolescente. Não é conveniente – seria até um contra-senso – discutir, nesse momento, a opção sexual do citado vereador. Importa, sim, para o contribuinte que banca o Legislativo, questionar a quebra de decoro por parte do político, na medida em que ele teria usado a prerrogativa de vereador para tentar extorquir policiais militares que o flagraram em atitude indecorosa para um homem público. Com o andar das investigações do Legislativo, tornaram-se cristalinas as evidências de que Ralf atentou contra a imagem do Poder, além de jogar na lata de lixo a moral e os bons costumes. Desse modo, parece não haver dúvida de que se justifica plenamente a perda do mandato, assim como a inelegibilidade, do vereador. Um impasse político, vale dizer, ainda marca o Caso Ralf: a indefinição sobre se a votação do pedido de sua cassação será aberta ou secreta. Partindo do princípio de que a sociedade exige uma punição severa, não há nada como permitir que determinados vereadores se escondam no anonimato. Na verdade, a pressão popular impede que se confunda imunidade parlamentar com impunidade, não tolerando mais um condenável padrão de corporativismo. A cassação do vereador Ralf Leite, desde já, se torna um imperativo. Uma punição exemplar equivalerá a uma depuração na própria Câmara, com a certeza de que a iniciativa não se circunscreverá ao caso do parlamentar do PRTB, mas que se transformará em regra. Afinal, escândalo é o que não falta no Legislativo cuiabano. “A cassação do vereador Ralf Leite, desde já, se torna um imperativo”

Edição EDIÇÃO 16962




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