Mais uma vez Mato Grosso e o governo estadual deixaram claro que permanecem mobilizados na luta pela ferrovia sonhada há décadas. No começo desta semana autoridades locais e convidadas participaram do seminário Desenvolvimento e Ferrovias Centro-Oeste realizado em Cuiabá e do qual se extraiu mais uma carta em defesa da matriz ferroviária enquanto modal de transporte para os anfitriões. De um lado da trincheira pela ferrovia, Mato Grosso não mede esforços para sensibilizar o governo federal, mas do outro essa luta esbarra nos interesses regionais na área do transporte pesado. A disputa é complexa e tem o complicador do fator tempo, pois a cada dia Cuiabá perde ou deixa de atrair investidores por ser cidade distante dos portos e sem matriz de transporte ferroviário ou hidroviário que praticam fretes mais atrativos proporcionando maior lucratividade nas mercadorias embarcadas. Maior celeiro do agronegócio nacional Mato Grosso perdeu a competição ferroviária para a Rodovia Transordestina que é uma extensa via paralela ao transporte de cabotagem, que por sua vez é o mais barato no mundo. Essa derrota passou despercebida, ou não foi levada em consideração, muito embora sua cristalização tivesse se arrastado por muitos anos no governo do presidente Lula da Silva. Com muita dificuldade Mato Grosso conseguiu que os trilhos da ferrovia Senador Vicente Vuolo da América Latina Logística/ALL avancem de Alto Araguaia a Itiquira e Rondonópolis numa extensão de 250 km numa obra que deverá se arrastar até o final do próximo ano. Essa conquista acontece quase nove após a chegada do trem a Alto Araguaia. O lento avanço da obra ferroviária da ALL e seu custo não transmitem mensagem de otimismo e imediatismo para a chegada do trem a Cuiabá, por mais que as forças locais se mobilizem e por mais que o governo de Mato Grosso assuma seu papel no contexto dessa causa. Essa realidade sugere que se deve buscar, o quanto antes, parceria internacional para a construção da ferrovia sonhada. Em algumas oportunidades, mas sem aprofundamento da questão, a China demonstrou interesse em investir em alguns setores em Mato Grosso e dentre eles o do transporte ferroviário. Principal mercado importador de commodities agrícolas mato-grossenses Pequim precisa ganhar o centro das atenções das autoridades e lideranças empresariais de Mato Grosso. A construção de uma ferrovia ligando Cuiabá a Rondonópolis, Santarém ou Água Boa aonde chegará o trem da Ferrovia do Centro-Oeste jamais seria descartada pelos chineses como parte de um escambo ao estilo das PPPs caipiras. Deve ser bem mais fácil convencer um governo que não pode vacilar em seu programa de segurança alimentar para um bilhão e trezentos milhões de cidadãos a investir numa região produtora de grãos e carnes do que sensibilizar Brasília a inserir o sonho cuiabano pela matriz do transporte ferroviário aos planos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)-2 que não tem sequer lastro orçamentário. A cada dia Cuiabá perde ou deixa de atrair investidores por ser cidade distante dos portos