Editoriais
Sexta-feira, 23 de Maio de 2008, 21h:02
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Tragédia no asfalto
A notícia não é das melhores, mas é bastante oportuna para uma profunda reflexão sobre a questão da violência em Mato Grosso. E, quando se fala em violência, os fatos não se limitam aos crimes de assassinatos, às execuções sumárias por motivos banais e/ou envolvendo o tráfico de drogas; ou, ainda, às matanças por encomenda. Com efeito, parte considerável da violência está, literalmente, nas ruas. Como as da Capital¤¤701748 e de outras cidades de porte, que têm um trânsito que, proporcionalmente, é o que mais mata no Brasil. A triste constatação está no estudo Acidentes de Trânsito no Brasil: Um Atlas de Sua Distribuição, lançado pela Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), recentemente, por sinal, no momento em que o Código de Trânsito Brasileiro completa uma década. Para se ter uma idéia da gravidade contida nesse relatório, basta assinalar que a taxa de mortalidade em casos de acidentes no Estado é de 32,12 por 100 mil habitantes em termos práticos, 65% acima da média nacional, 19,4 por 100 mil habitantes. Com um detalhe interessante: os pedestres e os motociclistas são os mais atingidos. O documento destaca informações sobre a frota de veículos, o número de acidentes e as respectivas vítimas, bem como o registro de atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O resultado, infelizmente, é dos mais alarmantes: em 2005, o Brasil somou pelo menos uma centena de mortes ao dia. Para os pesquisadores responsáveis pela elaboração do estudo, esse saldo trágico, quando nada, equivale a praticamente um avião que cai, todos os dias, sem que a população se dê conta da dimensão desta tragédia. Na verdade, são mortes que acontecem no varejo, em diferentes locais, o que explicaria o fato de a tragédia não provocar comoção. Um detalhe que chama a atenção é que estudos da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP) apontam para várias possibilidades que causariam um volume tão elevado de acidentes nas ruas das cidades. Um deles, por exemplo, é a expansão da frota de motocicletas a partir do começo da década. Em 2001, eram 48 motos para cada grupo de mil habitantes; sendo que, em cinco anos, a taxa dobrou, indo a 86 por mil. Um índice considerado absurdo, mas que, provavelmente, configura a causa maior dos acidentes fatais. O Estado, ademais, segundo o estudo da USP, tem a segunda maior taxa de mortalidade de motociclistas do país, além da maior taxa de internações hospitalares em função desses acidentes. As freqüentes campanhas de educação no trânsito, ao que parece, não surtem o efeito desejado. Talvez a saída seja uma campanha no sentido de punir, com todos os rigores da Lei, os casos mais graves de infrações envolvendo esse tipo de veículo. O Estado já tem tantos índices de violência, para se tornar campeão em mais uma irregularidade desta natureza. Impor todo o rigor da lei aos culpados pode ajudar no combate ao grande número de acidentes de trânsito